Kunduz: MSF exige investigação internacional sobre ataque em hospital
A organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) exigiu, nesta quarta-feira, que a Comissão Internacional de Investigação Humanitária (IHFFC) receba a incumbência de realizar uma investigação independente sobre o bombardeio de um hospital em Kunduz , no Afeganistão.
Por Redação, com agências internacionais - de Kunduz/Washington:
A organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) exigiu, nesta quarta-feira, que a Comissão Internacional de Investigação Humanitária (IHFFC) receba a incumbência de realizar uma investigação independente sobre o bombardeio de um hospital em Kunduz , no Afeganistão.
– Não podemos confiar numa investigação militar (americana) interna" de um ataque aéreo dos EUA num hospital que o MSF estava administrando na cidade afegã de Kunduz – disse a presidente da MSF, Joanne Liu, em coletiva de imprensa.
Médicos Sem Fronteiras pede que Comissão Internacional de Investigação Humanitária apure de forma independente o bombardeio a um hospital na cidade afegã
Ela acrescentou que não havia sido "simplesmente um ataque ao nosso hospital, mas um ataque às Convenções de Genebra, que não pode ser tolerado". Liu pediu apoio para mostrar que "até mesmos as guerras têm regras".
A organização médica afirmou que a IHFFC, que pode ser invocada a pedido de um único Estado sob a Convenção de Genebra, reunirá fato e provas de Estados Unidos, Otan e Afeganistão. A IHFFC foi criada em 1991, com sede na Suíça, e nunca foi convocada a atuar.
Após a análise da comissão, o MSF decidirá se apresentará acusações criminais por mortes e danos, segundo Liu. "Se deixarmos isso passar, estamos basicamente dando um cheque em branco para todos os países em guerra", acrescentou.
Na terça-feira, os EUA admitiram que o bombardeio havia sido efetuado seguindo a "cadeia de comando dos EUA", mas alegou que ele atingiu o hospital "por engano" .
Pelo menos 22 pessoas morreram no ataque. A ONU afirma que poderia se tratar de um crime de guerra, mas também disse que ainda era muito cedo para uma investigação independente.
Forças Armadas dos EUA
As Forças Armadas dos Estados Unidos assumiram na terça-feira a responsabilidade por um ataque aéreo mortal a um hospital na cidade afegã de Kunduz, classificando a ação como um erro, e prometeram apontar responsáveis.
No sábado, um hospital afegão gerenciado pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi atingido por um ataque aéreo que matou 22 pessoas. Autoridades do MSF pediram uma investigação independente sobre o incidente, que classificaram como um "crime de guerra".
O secretário de Defesa dos EUA, Ash Carter, disse que o Pentágono "lamenta profundamente" a perda de vidas. "As Forças Armadas dos EUA tomam o maior cuidado em nossas operações para evitar a perda de vidas inocentes, e quando cometemos erros, nós os assumimos. Isso é exatamente o que estamos fazendo agora", afirmou Carter, que está em viagem à Europa, em comunicado.
– Faremos tudo que pudermos para entender este trágico incidente, aprender com ele e responsabilizar as pessoas, se necessário – acrescentou.
Mais cedo, o comandante norte-americano das forças internacionais no Afeganistão, general do Exército John Campbell, afirmou que o ataque aéreo que atingiu o hospital em Kunduz foi um erro cometido dentro da linha de comando dos Estados Unidos.
Os comentários de Carter e Campbell foram o reconhecimento mais direto já feito pelo governo dos EUA de que o ataque ao hospital foi realizado por forças norte-americanas. Em um comunicado na segunda-feira, Campbell disse apenas que as forças dos EUA tinham respondido a um pedido de apoio das forças afegãs.
Em testemunho no Comitê de Serviços Armados do Senado, Campbell também deixou claro que defende uma reavaliação de um plano para retirar quase todas as tropas norte-americanas até o final do próximo ano. Ele disse que ameaças crescentes no Afeganistão vindas do Estado Islâmico e da al Qaeda estavam entre os fatores colocados em suas recomendações à Casa Branca sobre o nível futuro de tropas.
Campbell disse que as forças norte-americanas responderam a um pedido do Afeganistão e providenciaram suporte aéreo para as forças afegãs que estavam em conflito com militantes do Talebã em Kunduz, capital da província que foi capturada no mês passado pelo Talebã.
– Para ser claro, a decisão de fornecer fogo aéreo foi uma decisão norte-americana tomada dentro da cadeia de comando norte-americana – disse Campbell. Ele acrescentou que forças especiais dos EUA nas proximidades estavam se comunicando com a aeronave que fez os disparos. "Um hospital foi atingido por engano. Nunca iríamos atingir intencionalmente um local médico protegido."
O presidente norte-americano, Barack Obama, espera que medidas sejam tomadas para evitar que tal incidente se repita, afirmou o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest nesta terça-feira.
Campbell disse que direcionou forças sob seu comando para iniciar um treinamento para revisar autoridades operacionais e regras para prevenir incidentes futuros como o de Kunduz.
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