Isolado, prefeito de Campinas é cassado por 32 votos a 1

Isolado, prefeito de Campinas é cassado por 32 votos a 1

Nem apoio do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, revertou debandada de aliados. Três meses após divulgação de escândalo de corrupção, vice, do PT, assume

Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual

Publicado em 20/08/2011, 11:00

Última atualização às 14:18

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São Paulo – Na madrugada deste sábado (20), por 32 votos a um, a  Câmara Municipal de Campinas (SP), a 93 quilômetros da capital, cassou o mandato do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). A decisão era esperada após a debandada de aliados, passados três meses da revelação de um escândalo de corrupção na administração municipal.

Nem mesmo o anúncio, durante a semana, de que o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), presidente da Força Sindical e do diretório estadual da legenda, serviu para mudar o cenário. Mesmo os vereadores do PDT posicionaram-se à favor do afastamento, insatisfeitos com o que consideraram uma tentativa de enquadramento pela direção da sigla.

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O único voto contra foi do vereador Sérgio Benassi (PCdoB), que justifica a decisão pelo fato de o Ministério Público não ter citado o prefeito nas acusações. Ao todo, somando-se o tempo de leitura do relatório e votação, a sessão durou 44 horas.

A revelação de um vídeo em que um emissário do prefeito tentava negociar a compra de votos de vereadores foi crucial para o resultado. A divulgação do caso fez com que os oito vereadores pedetistas abandonassem o apoio a Dr. Helio.

As denúncias contra a administração municipal envolvem contratos da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas (Sanasa), em irregularidades em loteamentos imobiliários e em ilegalidades no modelo de operação das antenas de celulares da cidade. O vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), chegou a ser preso no fim de maio, mas foi liberado um dia depois. Apesar disso, é ele quem assume o cargo.

Antes da votação, a população instalou um painel improvisado para que os vereadores assinalassem seus votos. Como a sessão foi prolongada e tensa, marcada pela pressão popular, o placar com larga margem a favor do afastamento era esperado.

A sessão foi encerrada às 5h, com a assinatura, pelo presidente da Câmara, Pedro Serafim Junior (PDT), de decreto legislativo de afastamento do prefeito. “Não estou feliz com o que aconteceu, porque isso não se faz com ninguém. Mas tenho confiança de que a cidade vai se recuperar”, disse Serafim Junior, segundo nota da Câmara.

Segundo informações do Executivo municipal, a prefeitura está em situação financeira precária, com dificuldades até mesmo para pagar os funcionários, o que pode vir a ser o maior problema do início do mandato do sucessor.

Com informações da Agência Brasil