O IPCA-15 desacelerou em junho com ajuda dos preços mais baixos de saúde, alimentos e transportes, mas ainda permanece em torno de 9% no acumulado em 12 meses, sem deixar espaço para que o Banco Central reduza a taxa básica de juros tão cedo.
As principais influências para o resultado de junho do IPCA-15 vieram de Saúde e Cuidados Pessoais, Alimentação e Bebidas e Transportes
Por Redação, com Reuters - de São Paulo:
O IPCA-15 desacelerou em junho com ajuda dos preços mais baixos de saúde, alimentos e transportes, mas ainda permanece em torno de 9% no acumulado em 12 meses, sem deixar espaço para que o Banco Central reduza a taxa básica de juros tão cedo.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,40% em junho, depois de subir 0,86% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.
O grupo Alimentação e Bebidas, que tem importante peso sobre a renda das famílias, registrou avanço de 0,35% neste mês
Trata-se da menor leitura do indicador para junho desde 2013, quando teve alta de 0,38%.Com esse resultado, no acumulado dos últimos 12 meses a alta do IPCA-15 caiu a 8,98%, sobre 9,62% no mês anterior, porém ainda bem acima do teto da meta do governo de 4,5% pelo IPCA, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou menos.
O IBGE explicou que as principais influências para o resultado de junho do IPCA-15 vieram de Saúde e Cuidados Pessoais, Alimentação e Bebidas e Transportes.
Depois do reajuste dos preços dos remédios em abril, Saúde e Cuidados Pessoais desacelerou a alta a 1,03% em junho, contra 2,54% no mês anterior. O grupo Alimentação e Bebidas, que tem importante peso sobre a renda das famílias, registrou avanço de 0,35% neste mês, contra 1,03% em maio.
Os preços mais baixos do etanol, por sua vez, ajudaram os preços do grupo Transportes a registrarem queda de 0,69% nos preços em junho, após recuo de 0,30 por cento em maio.
Na ponta oposta, o grupo Habitação foi o que mais pesou sobre a inflação, com alta de 1,13% no mês, respondendo por 0,17 ponto percentual do índice. Segundo o IBGE, isso ocorreu devido a taxa de água e esgoto, que subiu 4,50%.
A inflação vinha ganhando ímpeto nos últimos meses, o que levou as projeções do IPCA na pesquisa Focus do BC - que ouve semanalmente uma centena de economistas - subirem a 7,25% para 2016.
O BC, agora sob o comando de Ilan Goldfajn, tem reforçado o compromisso de levar a inflação para o centro da meta oficial, mas sem especificar quando. De maneira geral, especialistas vêem redução na taxa de juros, mas com a força dos preços já há apostas de que um novo ciclo de afrouxamento monetário vai começar mais tarde.
Na véspera, o mercado de juros futuros passou a precificar chances levemente majoritárias de que o início do ciclo de cortes da Selic, atualmente a 14,25%, acontecerá em outubro, e não mais em agosto.
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