A Hungria vai fechar a sua fronteira com a Croácia à meia-noite, um mês depois de ter feito o mesmo com a fronteira sérvia, anunciou nesta sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto.
Por Redação, com ABr - de Budapeste/Genebra:
A Hungria vai fechar a sua fronteira com a Croácia à meia-noite, um mês depois de ter feito o mesmo com a fronteira sérvia, anunciou nesta sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto.
A decisão é anunciada um dia depois da conclusão da uma nova barreira antimigrantes.
Mais de 170 mil imigrantes entraram na Hungria a partir da Croácia desde 15 de setembro, data em que Budapeste fechou a fronteira com a Sérvia.
Criticada pelas medidas que toma em relação aos migrantes, a Hungria afirma cumprir as suas obrigações de proteger a fronteira externa da União Europeia.
A Hungria vai fechar a sua fronteira com a Croácia à meia-noite, um mês depois de ter feito o mesmo com a fronteira sérvia O Unicef não contabilizou o número de menores não acompanhados nos centros, pois a maioria não se registra junto às autoridades
Em entrevista antecipada hoje pela revista alemã Focus, o primeiro-ministro húngaro, o conservador nacionalista Viktor Orban, afirmou que o islamismo nunca fez parte da Europa.
– O Islã nunca fez parte da Europa, veio até nós – disse o chefe do governo húngaro, que tem assumido posição dura contra a entrada de refugiados na Europa, a grande maioria muçulmanos.
Na entrevista, que será publicada na íntegra neste sábado, Orban admite que milhares de imigrantes turcos, a maioria muçulmanos, que chegaram à Alemanha nas décadas de 60 e 70 e que contribuíram com a sua mão-de-obra para a economia alemã “pertencem à história da Alemanha e, portanto, da Europa”.
– Mas, espiritualmente, o Islã não pertence à Europa. É um conjunto de regras de um outro mundo – acrescentou o primeiro-ministro húngaro, que também criticou as autoridades de Paris e de Berlim por não admitirem que um país expresse as suas dúvidas perante a ideia de uma sociedade multicultural.
– Na Hungria, decidimos o que queremos e o que não queremos. Não queremos isso – afirmou Orban.
Mar MediterrâneoMais de 613 mil imigrantes chegaram à Europa em 2015, atravessando o Mediterrâneo, mais de 3,1 mil morreram ou estão desaparecidos, informou nesta sexta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Do total de 613 mil, aproximadamente 473 mil chegaram à Grécia e 137 mil à Itália, acrescentou a organização.
Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a maioria dos que chegaram é formada por sírios, que representam 69% dos que atingem a Grécia.
Adrian Edwards, porta-voz do Acnur, disse que o mês de outubro tem sido mais calmo que o de setembro, exceto nos últimos dois dias. Na quarta-feira, 85 embarcações chegaram à ilha grega de Lesbos, ponto de entrada na Europa para grande parte dos migrantes que saem da Turquia.
– O aumento na chegada de imigrantes pode ser o resultado de uma melhoria do tempo, de uma tentativa para evitar o inverno e do medo das fronteiras europeias serem fechadas em breve – explicou Edwards, em entrevista em Genebra.
O porta-voz disse ainda que há atualmente de 3,5 mil a 4 mil migrantes no lado norte da ilha e que as transferências feitas de ônibus para os centros de acolhimento foram interrompidas devido à superlotação dos veículos.
O aumento na entrada de migrantes agrava uma situação já caótica na Ilha de Lesbos. Segundo Edwards, na quinta-feira integrantes do Acnur tiveram de ser retirado por algum tempo de um centro de registro devido a atos de violência.
Condições precárias
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) denunciou nesta sexta-feira que as condições dos centros de recepção e trânsito de migrantes na Europa estão longe de cumprir normas de proteção infantil e pediu às autoridades europeias que façam um maior esforço neste sentido.
O porta-voz do Unicef, Christophe Boulierac, explicou, em coletiva de imprensa, que a entidade fez “missões de avaliação rápida” para checar as condições dos centros na Hungria e na Grécia e o resultado foi a constatação de que as instalações não cumprem as normas.
– Os centros de recepção e trânsito nesses dois países foram ultrapassados pelos acontecimentos, não levam em conta as necessidades e interesses das crianças e não apresentam espaços e nem atenção adequada – disse Boulierc.
O porta-voz declarou que o fundo está especialmente preocupado com a situação dos menores desacompanhados “que são muito vulneráveis ao risco de exploração e de tráfico”.
O Unicef não contabilizou o número de menores não acompanhados nos centros, pois a maioria não se registra junto às autoridades
Boulierac explicou que uma missão de reconhecimento do Unicef em centros de recepção na Alemanha recebeu “diversas denúncias” de violência de gênero e abusos.
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