Rio de Janeiro, 05 de Fevereiro de 2026

Hungria cogita usar Exército para conter imigrantes

A Hungria está cogitando usar o Exército para proteger a fronteira sul do país, pela qual uma onda de imigrantes tem entrado na União Europeia, afirmou nesta quarta-feira o porta-voz do governo Zoltan Kovacs.

Quarta, 26 de Agosto de 2015 às 06:45, por: CdB
Por Redação, com DW - de Londres: A Hungria está cogitando usar o Exército para proteger a fronteira sul do país, pela qual uma onda de imigrantes tem entrado na União Europeia, afirmou nesta quarta-feira o porta-voz do governo Zoltan Kovacs. Budapeste também anunciou o envio de mais de 2,1 mil policiais para reforçar a fronteira com a Sérvia.
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Após registrar entrada recorde de imigrantes, país europeu estuda acionar militares e anuncia reforço na fronteira
No dia anterior, o país registrou a entrada de um número recorde de imigrantes num único dia: 2.533 refugiados cruzaram a fronteira entre a Sérvia e a Hungria. A maioria deles veio da Síria, do Afeganistão e do Paquistão. Kovacs disse que qualquer decisão de usar o Exército deve ser baseada numa decisão aprovada pelo Parlamento, que deve debater o assunto na próxima semana. A Hungria, que é parte da União Europeia (UE), está construindo, desde meados de julho, uma cerca de 175 quilômetros de extensão na fronteira com a Sérvia, na tentativa de conter a entrada de refugiados que usam a chamada rota dos Bálcãs. Nos últimos dois dias, muitos imigrantes atravessaram a fronteira passando por trechos que ainda não foram fechados pela cerca. Tumulto em abrigo Nesta quarta-feira, policiais húngaros usaram gás lacrimogêneo para conter um tumulto num centro de triagem para imigrantes, na cidade de Röszke, próxima da fronteira servo-húngara. A confusão começou depois que imigrantes reclamaram do fato de as crianças serem obrigadas a brincar a céu aberto, sob chuva. A situação foi contornada após um porta-voz dos refugiados falar com eles em árabe. O local abriga entre mil e duas mil pessoas, que pernoitam, parcialmente, em tendas. A Comissão Europeia ofereceu ajuda à Hungria para tentar acalmar a situação, através da criação de um grande centro de refugiados. "Estamos dispostos a estabelecer um hot spot na Hungria, porque o país precisa de apoio", disse uma porta-voz da comissão na terça-feira, em Bruxelas. A construção dos chamados hot spots é exigida por Berlim e Paris. Eles devem servir para cadastrar refugiados e triar imigrantes sem chances de conseguir asilo na UE. Até agora, existe um hot spot apenas na Itália, e um segundo está sendo construído na Grécia. Regras para refugiados sírios A Alemanha afirmou na terça-feira que não irá adotar a Diretriz de Dublin para refugiados de origem síria. De acordo com essa regra, o Estado onde o requerente de asilo entrou pela primeira vez em solo europeu é o responsável pelo refugiado. Pela diretriz, os países do bloco podem devolver requerentes para o primeiro Estado europeu por onde eles passaram. A medida alemã flexibiliza essa regra para sírios, permitindo que os requerentes dessa origem permaneçam em território alemão. - Para a Comissão, isso constitui um reconhecimento do fato de que não podemos deixar os países membros com fronteiras externas lidando sozinhos com um grande número de requerentes de asilo que procuram refúgio na Europa - afirmou a porta-voz da Comissão Europeia Natasha Bertaud. A regra pesa, principalmente, sobre os países fronteiriços, como Grécia, Hungria e Itália, o ponto de entrada de milhares de refugiados na Europa. Na prática, a Diretriz de Dublin já era aplicada apenas raramente em relação a requerentes da Síria. Segundo o site de notícias alemão Spiegel Online, de janeiro a julho deste ano, o governo alemão mandou 131 refugiados de volta ao país pelo qual eles entraram na Europa. Nos primeiros seis meses de 2015, cerca de 44 mil sírios deram entrada ao pedido de asilo na Alemanha. A Comissão Europeia expressou também a esperança de que o desejo da Alemanha e da França sobre uma política migratória unificada tenha ressonância em outros países do bloco. Na última segunda-feira, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, defenderam o estabelecimento de uma política de migração comum para o bloco, que inclui um sistema comum de asilo, a padronização da lista de países seguros e a distribuição justa de refugiados entre os países-membros da União Europeia.
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