Hip-hop brasileiro é atração na Europa

13/5/2010 16:11,  Rui Martins

Bruno Beltrão e seu Grupo de Rua levaram com sucesso o hip-hop brasileiro, nas cenas de dança de dez cidades suíças, durante o Festival Steps. Já conhecido de outras tournées, Beltrão tem viajado pelo mundo todo com seu grupo. A atual tournée viajou por toda Europa e se conclui em Portugal, depois de Suécia e Finlandia.

Bruno Beltrão começou dançando aos 13 anos, no Clube Naval, em Niterói, sua cidade natal. Seu professor de hip-hop foi o israelense Yoram Szabo, vindo de Nova Iorque. Até ali, Beltrão só via vídeos-clip, mas com o israelense teve um contato com o hip-hop influenciado pelo jazz e pelo balé. Com a partida do professor, foi ele com um amigo que decidiram ensinar o que haviam aprendido de hip-hop, numa época em que era preciso se apanhar aqui e ali os elementos dessa dança.

Em 96, formou seu primeiro grupo com o qual participou, durante alguns anos, de festivais amadores do hip-hop. Foi quando entrou para a Faculdade de Dança que Beltrão diz ter aprendido as ferramentas que lhe permitiram apresentar os espetáculos de hoje.
Começou o processo criativo e o espetáculo visto na Suíça foi a sua sexta peça hip-hop.

Modesto, Beltrão diz que cada peça é uma etapa no aprendizado, dificultado pelas dificuldades encontradas no Brasil para se fazer dança. « Só dá para continuar – diz ele – porque encontramos, aqui fora, gente interessada no nosso trabalho. Só agora conseguimos um patrocínio da Petrobras, mas demorou, foram 13 anos sem apoio. Nosso grupo de hoje é formado de gente que pertenceu a outros grupos que foram ficando pelo caminho ».

A atual peça de Beltraão, H3, já virou mundo em 120 apresentações em Singapura, Japão « e aqui na Europa – diz ele – essa peça foi co-produzida por festivais na França, Bélgica, Espanha. Nossas últimas apresentações serão na Suécia, Finlândia, Portugal, tendo havido só algumas no Brasil. Aqui na Suíça, nos apresentamos em dez cidades, a última Zurique. O sucesso do hip-hop vem do fato de servir para estravasar a violência latente nos centros urbanos ».

As viagens do Grupo de Rua incluíram também o Oriente Médio, como Jordânia, Síria, Israel, Egito e na Tunísia, onde houve, há alguns anos, um incidente numa peça em que um dos dançarinos ficava quase nu, com intervenção da polícia e interrupção da peça, que só continuou depois de muitas explicações.

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