Hilde fala sobre a morte do irmão e a luta de sua mãe
25/1/2010 11:27, Redação

Hildegard Angel foi a entrevistada
do deputado Marcelo Itagiba
– O meu irmão morreu lutando por um Brasil melhor –, afirmou a jornalista Hildegard Angel, colunista do Jornal do Brasil, em entrevista ao deputado federal Marcelo Itagiba para o programa De Olho no Rio, que foi ao ar neste domingo pela CNT.
Hildegard disse que Stuart Angel, assassinado na Base Aérea do Rio de Janeiro, durante a ditadura militar, fez parte de uma geração da qual a atual está muito distante.
– Os jovens daquela época tinham a fibra de Stuart, na tentativa de transformar o Brasil num país justo. Mas os gestos heroicos viraram literatura, e a realidade de hoje é a de jovens imediatistas em busca, exclusivamente, de suas realizações individuais – afirmou Hilde, como é conhecida a jornalista.
Na entrevista, Hilde falou também sobre a luta de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, para encontrar o filho desaparecido e, posteriormente, quando o crime foi descoberto, poder enterrar o seu corpo e identificar os autores do assassinato.
Zuzu, que tinha uma carreira internacional, denunciou o homicídio de Stuart – que tinha as nacionalidades brasileira e americana – ao senador Edward Kennedy, que levou o caso ao Congresso dos Estados Unidos. Foi a forma que ela encontrou de pressionar as autoridades brasileiras.
– Mamãe foi corajosa até para criar moda, ao propor, em caráter inédito, a roupa brasileira, quando todos copiavam as inspirações estrangeiras. Em 1971, com o assassinato de meu irmão, ela criou o primeiro desfile de protesto na história da moda no mundo, com peças de guerra nas roupas e tarjas de luto – relembrou Hilde.
Em relação à escolha da profissão que a tornou conhecida nacionalmente, a jornalista contou que, na verdade, desde os sete anos estudou teatro, dança e canto, para se tornar atriz, o que acabou se concretizando. Contudo, com a morte de sua mãe, em 1976, Hilde disse ter perdido o entusiasmo pela carreira artística.
– Fiz várias peças, mas perdi o estímulo. Em 1976, a Nina Chaves, do Jornal do Brasil, me convidou para trabalhar com ela. Foi ali que tudo começou – rememorou Hilde.
Ela disse que, de lá para cá, o colunismo social mudou muito.
– Hoje não há mais espaço para publicar somente futilidades. O colunista tem que ter o dever cívico de informar os seus leitores sobre outros assuntos, como a política – ensinou a jornalista.
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