Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Greve: professores da UFF retomam atividades

Os professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) retornaram nesta segunda-feira às atividades depois de quatro meses em greve. Os servidores técnico-administrativos continuam parados, devido aos cortes nos orçamentos das universidades federais.

Segunda, 05 de Outubro de 2015 às 09:27, por: CdB
Por Redação, com ABr - do Rio de Janeiro: Os professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) retornaram nesta segunda-feira às atividades depois de quatro meses em greve. Os servidores técnico-administrativos continuam parados, devido aos cortes nos orçamentos das universidades federais. Os professores da instituição concordaram,em assembleia no dia 30 de setembro, com a proposta do Comando Local de Greve (CLG) de garantir aos estudantes o direito à reposição integral das aulas interrompidas, tanto na graduação quanto na pós-graduação. Mas, mesmo com a normalização das atividades, a categoria mantém o pedido das melhorias das condições de trabalho e reajuste de salário.
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Os professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) retornaram nesta segunda-feira às atividades
O estudante de 27 anos do curso de publicidade e propaganda Yuri Hortz, que está no penúltimo período da graduação, terá de adiar o sonho da conclusão para o ano que vem. O aluno se sente prejudicado pela greve, mas defende os docentes e lamenta pelo governo não ter atendido às devidas reivindicações da categoria. "Estou feliz com o retorno, porém é preciso que defendamos com mais afinco os professores e as universidades, pois um país que trata sua educação de qualquer forma não pode prosperar." Já o estudante de ciências atuariais Daniel Souza foi um dos poucos que não foram prejudicados, pois, em seu curso, não houve paralisação. Mesmo tendo aulas, o estudante disse que iniciará o segundo semestre só em 25 de novembro, o que atrasará o término da graduação. Ele teme novas paralisações. "É obvio que, tendo em vista que o movimento grevista não alcançou os objetivos, uma nova greve virá". Uma assembleia da catagoria está marcada para esta terça-feira, no Campus Gragoatá para discutir o processo de reposição do calendário acadêmico e avaliar as reivindicações. Quatros meses em greve Em uma das maiores assembleias da história da Associação dos Docentes da UFF (Aduff), com participação de 576 professores, uma ampla maioria de 464 docentes votou pelo encerramento da greve, 94 votaram pela permanência e nove se abstiveram. Em seguida, outra votação definiu que as atividades acadêmicas seriam retomadas nesta segunda-feira. Apesar do fim da greve, uma carta do comando local de greve alertou que o término do movimento grevista não significa o fim da mobilização. Segundo o comando de greve, o movimento dos professores cumpriu o papel de combater o ajuste fiscal e de denunciar os graves problemas nas condições de trabalho nos campi de Niterói e em outros. O comando de greve acrescentou que, além disso, o movimento ajudou a pressionar o Ministério do Planejamento nas negociações salariais, que, apesar de não terem tido avanços significativos, ao menos fizeram com que o governo recuasse na política de reajuste zero. De acordo com o vice-presidente da Aduff, Gustavo Gomes, o fim da greve representa uma nova fase de pressões e mobilizações porque a categoria entende que alguns problemas que motivaram a entrada em greve não foram resolvidos e estarão presentes na volta às aulas. Gomes disse que os problemas decorrem do corte orçamentário da educação. Ele citou a paralisação de obras dos prédios do projeto de expansão da UFF, o que obriga professores a dar algumas aulas em contêineres, e a diminuição da verba de custeio da universidade, o que implica a falta de pagamento de funcionários terceirizados e a diminuição do número de bolsas estudantis. "Temos uma série de limitações, que motivaram a greve e permanecem sem solução, mas que agora vão até ser agravadas”, afirmou. Gomes ressaltou ainda a falta de insumos básicos em vários departamentos da universidade, que vão de material para sala de aula a produtos de limpeza. “A situação é muito precária e vem se agravando. Por isso, vamos manter a mobilização.”  Segundo o representante dos professores, o comando de greve vai se transformar em comando permanente de mobilização, com o objetivo de discutir os obstáculos no caminho do desenvolvimento da universidade. Na assembleia, foi deliberada a garantia da reposição de aulas para os alunos para que eles não sejam prejucados. Uma comissão deve ser formada entre professores, alunos, funcionários técnicos e administrativos e representantes da reitoria para garantir a reposição total das aulas.
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