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Grécia: uma conta que não fecha

1/7/2011 12:50


Analisando a exposição dos bancos franceses e alemães podemos entender as razões de Paris e de Berlim para não re-escalonar ou reestruturar a dívida grega. Naquele país, os franceses estão expostos em 9,5 bilhões de euros e os alemães em 20,9 bilhões de euros. O Paribas tem 5 bilhões euros, o germânico KFW 8 bilhões de euros e seu compatriota Hypo Real Estate 7,4 bilhões de euros.

Como vemos, na prática, toda política dos países europeus, especialmente a de endividados como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha está sendo decidida – não na UE – mas pelos governos de Angela Merkel e Nicolas Sarkorsy. E quem paga a conta da farra dos bancos é o povo grego. Tudo indica, no entanto, que os gregos não vão aceitar arcar com o prejuízo da especulação apenas para salvar os bancos, principais responsáveis e beneficiários da crise.

O programa de austeridade aprovado pelo Parlamento de Atenas na 4ª. feira para garantir o desbloqueio do crédito junto à UE e ao FMI do pacote fechado em maio do ano passado, que totalizava 110 bilhões de euros, prevê arrecadar mais 28 bi de euros (R$ 63 bi) por meio de cortes de gastos e investimentos, aumento de impostos até 2015, bem como a aceleração de privatizações e supressão de programas sociais.

Impossibilidade aritmética

Mas, para ser ter uma idéia da impossibilidade aritmética da Grécia pagar suas contas, basta vermos vencimentos da dívida. Em 2011 vencem 28,1 bilhões de euros; no ano que vem, vencerão 35,2 bilhões de euros. Já, em 2013, a dívida resume-se à bagatela de 29,3 bilhões de euro. Em 2014, serão 33 bilhões. Por fim, em 2015, a menor parcela: 26,6 bilhões de euros. Como vemos, a conta não fecha. É impossível de ser paga. Assim sendo, ou a UE promove a reestruturação dessa dívida, ou a Grécia quebra. Ou, ainda, se revolta.




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