Rio de Janeiro, 14 de Março de 2026

Grécia: imigrantes retidos em ilha protestam por liberdade

Várias dezenas de imigrantes que estão retidos em um acampamento na ilha grega de Lesbos protestaram atrás da cerca de arame farpado do complexo nesta terça-feira

Terça, 05 de Abril de 2016 às 09:44, por: CdB

 

O primeiro grupo de 202 imigrantes, a maioria do Paquistão, que se encontrava em Lesbos e na ilha de Quios, no Mar Egeu, foi devolvido à Turquia na segunda-feira

  Por Redação, com Reuters - de Atenas/Cidade do Vaticano:  

Várias dezenas de imigrantes que estão retidos em um acampamento na ilha grega de Lesbos protestaram atrás da cerca de arame farpado do complexo nesta terça-feira, gritando "Queremos liberdade!".

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Em março a UE e a Turquia firmaram um acordo para fechar uma rota usada no ano passado por centenas de milhares de imigrantes

Eles estão entre milhares de refugiados e imigrantes que chegaram a Lesbos desde 20 de março, ou próximo dessa data, vindos da Turquia, e que estão sendo detidos conforme um novo acordo da União Europeia com Ancara até que seus pedidos de asilo sejam processados e eles sejam aceitoS ou mandados de volta para o território turco.

O primeiro grupo de 202 imigrantes, a maioria do Paquistão, que se encontrava em Lesbos e na ilha de Quios, no Mar Egeu, foi devolvido à Turquia na segunda-feira.

Através do arame farpado do campo de Moria, em Lesbos, um homem estendeu um pedaço de papelão com as palavras "Matem-nos se quiserem".

No muro do amplo complexo isolado por portões, outrora um campo do Exército, pichações dizem "Ninguém é ilegal".

Em março a UE e a Turquia firmaram um acordo para fechar uma rota usada no ano passado por centenas de milhares de imigrantes, a maior parte fugindo de zonas de conflito.

Em troca, o bloco irá receber milhares de refugiados sírios diretamente da Turquia e recompensá-la com auxílio financeiro, liberação de viagens sem exigência de visto e avanços nas negociações da filiação de Ancara à UE.

Atenção aos refugiados

A igreja ortodoxa da Grécia informou nesta terça-feira que aceitou uma sugestão do papa Francisco, que quer visitar o país para ressaltar o sofrimento de milhares de refugiados que fogem de conflitos.

O Santo Sínodo, órgão administrativo da igreja ortodoxa grega, afirmou em um comunicado que quer que o pontífice vá a Lesbos, ilha do Mar Egeu onde centenas de milhares de refugiados e imigrantes chegaram no ano passado.

Uma autoridade da igreja grega disse que a viagem pode acontecer ainda neste mês.

O comunicado informou que o papa expressou desejo de fazer a visita para chamar atenção para o conflito na região do entorno do Mediterrâneo, "que tem um efeito destrutivo nas comunidades cristãs, mas também para enfatizar o problema humanitário causado pelos refugiados desesperados que procuram um futuro melhor na Europa".

Duas autoridades do Vaticano, falando sob condição de anonimato, disseram que as duas igrejas conversaram a respeito de uma visita à ilha, mas que não há uma data certa.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, afirmou que não pode nem confirmar nem negar a viagem do papa.

Um primeiro grupo de 202 imigrantes, a maioria do Paquistão e Afeganistão, foi devolvido à Turquia na segunda-feira, conforme o acordo com a União Europeia, no qual Ancara irá receber de volta imigrantes e refugiados que cruzam o Egeu para entrar na Grécia ilegalmente.

Em troca, o bloco irá receber milhares de refugiados sírios diretamente da Turquia e recompensá-la com auxílio financeiro, liberação de viagens sem exigência de visto e avanços nas negociações da filiação de Ancara à UE.

O comunicado da igreja ortodoxa da Grécia disse que a visita do papa terá "poucas horas de duração, (sendo) puramente humanitária e simbólica".

Uma autoridade da igreja grega disse à agência inglesa de notícias Reuters que a visita pode ocorrer no dia 14 ou 15 de abril. O patriarca ortodoxo ecumênico Bartolomeu, líder espiritual dos cristãos ortodoxos e que vive em Istambul, também será convidado, disse o funcionário.

Francisco vem apelando de forma reiterada em defesa dos refugiados, pedindo à Europa que os aceite.

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