Gisele Bündchen: Não é só propaganda

29/9/2011 20:44,  Por Blog do Miro

Por Bárbara Castro, na CartaCapital:Inveja. Falta de senso de humor. Feminismo barato. Toda a sorte de argumentos negativos está circulando como reação ao pedido de suspensão da propaganda da Hope Lingerie protagonizada por Gisele Bündchen, pelo Conar. O órgão afirma que a peça é sexista. A empresa se defende com outro argumento sexista (usa do bom-humor para explorar a sensualidade natural das brasileiras). Gisele não se pronunciou até agora.A modelo mais bem paga do mundo, que arrisca seus primeiros passos também como empresária, é símbolo da mulher moderna, que não depende do marido ou do pai para pagar as suas contas. Ela mostra que a tão sonhada independência financeira é possível – ainda que muitas feministas não aprovem o caminho que ela encontrou para aparecer nas listas da Forbes. E é essa contradição – entre a imagem que Gisele passa ao mundo com o seu trabalho e o conteúdo da propaganda – o que tanto incomoda.No início da década de 1980 a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho era de 32,9%. Em 2009, ano da última pesquisa PNAD divulgada pelo IBGE, esse número era de 59,5%. O crescimento rápido nesses quase trinta anos é atribuído às mudanças no mercado de trabalho, à expansão no setor de serviços e à crise econômica que vivemos nas décadas de 80 e 90. As mulheres teriam saído de casa para ajudar a completar o orçamento familiar.São poucos os que dão destaque a um fator cultural de extrema importância para a mudança desses números: a percepção cada vez mais hegemônica de que as mulheres possuem as mesmas competências e capacidades que os homens, e podem, portanto, desempenhar os mesmos papéis que eles na arena pública.Apesar desses avanços, conquistados pelas lutas e reivindicações do movimento feminista, sabemos que a diferença salarial entre os dois sexos persiste, bem como o abismo de gênero entre os que ocupam cargos mais elevados dentro da hierarquia empresarial.A essa altura você deve estar se perguntando o porquê de eu insistir em tantos dados “clichês” em um texto sobre a polêmica de La Bündchen. Explico. A propaganda faz a mulher voltar no tempo. Devolve a emancipada Gisele ao lar que sua avó habitou um dia.A divisão sexual do trabalho e as desigualdades de gênero ainda presentes no imaginário social são os principais limitadores da equidade de gênero no mercado de trabalho. A ideia de que as mulheres devem se ocupar das tarefas domésticas e da criação dos filhos, enquanto os homens devem prover a casa por meio do seu trabalho ecoa tanto entre empresas quanto entre os profissionais. Os patrões dizem pagar menos a elas porque o seu desempenho e dedicação são menores do que o dos homens, já que o foco das mulheres é a família. Por sua vez, elas se sentem moralmente obrigadas a desempenhar tarefas que poderiam ser compartilhadas com seus companheiros e em contrapartida têm menos tempo para se qualificar, e menor disponibilidade para realizar viagens de trabalho, para citar só esses exemplos. Eles, nem preciso dizer, temem ser associados ao universo feminino ao executarem tarefas relacionadas ao cuidado (limpeza, alimentação, criação dos filhos etc.).Por isso a gravidade da imagem da “Amélia” que Gisele vem protagonizando desde as propagandas da SKY. Elas passaram desapercebidas pela grita geral porque o texto não literalizava o sexismo que a Hope teima em naturalizar. Gisele, a mulher poderosa e independente, é reconduzida ao seu papel de gênero e volta a brilhar no reino do lar. Nada poderia ser mais aviltante à luta das mulheres.* Bárbara Castro é mestre em Ciência Política e Doutoranda em Ciências Sociais pela Unicamp.


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2 Comentários para “Gisele Bündchen: Não é só propaganda”

  1. Gilberto

    O que a mulher pretende provar? Ela é rainha na posição dela e ponto. Não há rivalidade com o homem – pelo menos não deveria haver. O negócio é ser feliz. A que custo a mulher pretende provar que é tão capaz, habilodosa ou eficiente nos negócios quanto os homens? Na verdade esta é uma pergunta idiota – na verdade, o importante é ser tão mulher quanto possível e ser tão feliz quanto se pode ser sem a necessidade de provar nada para ninguém. As mulheres já ocupam a maior parte do mercado de trabalho – e daí? Aonde se quer chegar? A um mundo onde todos desempenham um único papel? Por que a mulher tem de ser igual ao homem? Ou vice-versa: por que o homem tem de ser igual à mulher? Cada um precisa descobrir o seu caminho para ser feliz, encontrar a sua própria vocação, seja como empresário(a), gari ou dona-de-casa. Por que o preconceito contra quem quer ser tradicionalmente mulher? Por que o sexismo de ficar comparando e privilegiando discursos que afastam, ao invés de aproximar as pessoas seja de que gênero forem? No mais, mulheres, vocês são lindas, super competentes naquilo que sabem fazer e não precisam cultivar esse complexo de inferioridade, achando que tem que ser iguais ou superar os homens para provar que são alguma coisa. Haja dó!!!!

  2. marcos

    As mulheres que aparecem apanhando no Datena também não são apologia a fraqueza da mulher? As mulheres que aparecem sem roupa na Fazenda, também não exploram a sensualidade, o cinismo e o mau caratismo? As cenas de sexo nas novelas globais, mulheres promíscuas, também não o são? Eu sinceramente sinto muito pelo dinheiro que o seu pai deve ter gasto na sua educação, mas, espera aí, você não deixaria um homem pagar seus estudos …… e sinto muito também por seu marido e filhos, mas acho que voce não deve ter isso, afinal, que tipo de mulher é voce que se deixa levar por emoções e se entrega ao prazer do sexo oposto, e se tiver filhos, naturalmente sua gravidez foi uma graça alcançada sem a necessidade da participação masculina ………

  3. TooMutch

    ahahahahahahahahah que grande treta!!!!

    haja vergonha!!!!!

    Desde quando é que manipulação psicológica das mulheres sobre os homens passou a ser «mulheres como objectos sexuais dos maridos»????

    que vergonha…. vê-se mesmo que foi uma mulher a botar censura nisso… é que elas tem que continuar dissimulando seus abusos psicológicos/psiquiátricos sobre os homens…

  4. bia

    A G.B. não se interessa pela causa da mulher . Ela se importa paenas em encher o seu valioso cofrinho.Mas de todas as plemicas que ela já esteve envolvida essa é a menos danosa, pelo menos pode ser encarada com bom humor.Claro, para quem ainda a suporta.

  5. julia

    Tem gente que nao teve a capacidade de entender uma propaganda com um humor saudavel, diferente daquelas que fazem questao de dar um close eu peitos e bundas?
    a propaganda [e otima!parabens!
    o que falta [e vergonha na cara de algumas pessoas que deviam admitir que morrem de inveja da Gisele!aposto que se fosse qualquer outra nao teria causado isso tudo!

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