Gabeira e Cesar são trunfos da oposição para enfraquecer Paes e PMDB
7/1/2012 16:14, Por Rede Brasil Atual
Gabeira e Cesar são trunfos da oposição para enfraquecer Paes e PMDB
Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual Publicado em 07/01/2012, 14:58 Última atualização às 14:58
Rio de Janeiro – O ano eleitoral no Rio de Janeiro começa com a perspectiva de uma mudança de estratégia da oposição no enfrentamento ao prefeito Eduardo Paes (PMDB), que tentará a reeleição e aparece com cerca de 40% das intenções de voto nas pesquisas de opinião até aqui realizadas. Dois medalhões da política carioca – o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e o ex-deputado federal Fernando Gabeira (PV) – decidiram lançar suas candidaturas à Câmara dos Vereadores como forma de garantir grandes bancadas a seus partidos e conquistar algum poder de influência durante a legislatura responsável por fiscalizar a organização das Olimpíadas de 2016. Além disso, um bom desempenho de Gabeira e Cesar nas urnas, mesmo que não impeça a reeleição de Paes, dificultará o caminho do PMDB para fazer o sucessor de Sérgio Cabral no Governo do Estado em 2014.
Cesar Maia já faz contas: “A candidatura é uma ótima ideia em muitos sentidos. Com uns 200 mil votos que eu possa vir a ter, faremos entre oito e nove vereadores, o que vai dar um barulho danado. O recomeço do DEM pela base é uma grande oportunidade de reaproximar a legenda da população”, diz o ex-prefeito. Em seu ex-blog, Cesar convida “amigos e aliados” do DEM e do PSDB derrotados nas eleições de 2010 a seguirem seu exemplo. “Imagine Tasso Jereissati vereador em Fortaleza, Arthur Virgílio em Manaus, Heráclito Fortes em Teresina! A importância e o peso das câmaras municipais cresceriam demais, a mídia passaria a vê-las de outra maneira, mais elevada”.
O PV também trabalha com a expectativa de cerca de 200 mil votos para Fernando Gabeira, embora este ainda não tenha assumido oficialmente a candidatura a vereador. O silêncio de Gabeira é motivado pela disputa interna travada no partido, dividido entre a candidatura própria à Prefeitura do Rio e o apoio ao deputado estadual Marcelo Freixo, candidato do PSOL. Após pedir anonimato, um dirigente do PV garante que o ex-deputado apenas espera o momento certo para se manifestar. “O Gabeira está convicto da importância de sua candidatura a vereador e de fazermos uma grande bancada. Ele tem sua posição no debate interno do PV e vai esperar o partido se definir para então anunciar a candidatura”, disse.
No último trimestre do ano passado, a principal movimentação política de Gabeira foi a aproximação com Freixo. Após algumas conversas reservadas, os dois organizaram encontros com integrantes das direções do PV e do PSOL e a conversa fluiu para o acerto de uma aliança na qual os verdes indicariam o candidato a vice na chapa de Freixo. “Essa aliança seria natural. O PSOL e o PV caminharam juntos durante a discussão sobre as mudanças no Código Florestal. Os dois partidos estão no mesmo campo ético”, disse o deputado do PSOL, logo após um dos encontros com os verdes.
Gabeira, mesmo sem definir posição, lembrou que os dois partidos já fizeram uma bem-sucedida aliança no Rio Grande do Sul, com o apoio a Luciana Genro. “Essa aliança seria uma coisa nova na política do Rio e nos traz a perspectiva de viabilizar uma chegada ao segundo turno”, disse o ex-deputado. Se decidir pela candidatura própria, o nome do PV deverá ser o da deputada estadual Aspásia Camargo, também cotada para ser vice na chapa de Freixo. Se tiver candidato próprio, o PV pode atrair o apoio do PSDB, partido que apoiou a candidatura a prefeito de Gabeira em 2008 e também ainda não resolveu suas disputas internas para as eleições de outubro.
“Segunda Guerra”
Em contraste à discrição de Gabeira, o ex-prefeito Cesar Maia tem demonstrado desenvoltura ao assumir posições políticas ousadas. A mais notável foi a aproximação com o ex-governador Anthony Garotinho (PR), antigo adversário e desafeto. Essa aproximação poderá se materializar em uma chapa que reúna a prole dos dois líderes – o deputado federal Rodrigo Maia e a deputada estadual Clarissa Matheus – para concorrer à Prefeitura do Rio. Para justificar a surpreendente aliança, Cesar afirma que Clarissa é “o melhor quadro político jovem do Brasil” e usa um argumento curioso, que tem alvo certo no PMDB de Paes e Cabral: “Para vencer a Alemanha, os Estados Unidos e a União Soviética se aliaram na Segunda Guerra”.
Outra preocupação de Cesar, que o ex-prefeito espera afastar com sua candidatura a vereador e a formação de uma grande bancada pelo DEM, é o crescimento do PSD no Rio de Janeiro. Depois de perder o seu candidato natural à Prefeitura – o deputado federal Indio da Costa, que foi vice na chapa de José Serra à Presidência em 2010 -, Cesar teme que a nova legenda desidrate o DEM na capital. Indio, ao menos por enquanto, garante apoio à reeleição de Eduardo Paes. O PSD, no entanto, tem nas mãos um grande trunfo após ter filiado o apresentador de tevê e deputado estadual Wagner Montes, que deixou o PDT. O nome de Montes, quando incluído nas pesquisas de opinião para prefeito, aparece sempre muito bem e ameaça até mesmo a aparentemente tranquila campanha pela reeleição do atual prefeito do Rio.
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