Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Foguetes atingem embaixada russa na Síria

Dois foguetes atingiram o complexo da embaixada da Rússia em Damasco, nesta terça-feira, provocando pânico. Centenas de pessoas se reuniam no local para expressar seu apoio aos ataques aéreos russos na Síria.

Terça, 13 de Outubro de 2015 às 06:30, por: CdB
Por Redação, com DW - de Damasco: Dois foguetes atingiram o complexo da embaixada da Rússia em Damasco, nesta terça-feira, provocando pânico. Centenas de pessoas se reuniam no local para expressar seu apoio aos ataques aéreos russos na Síria. Segundo relatos de jornalistas, aproximadamente 300 pessoas estavam no local para uma manifestação em prol da intervenção militar de Moscou na Síria quando os foguetes caíram no complexo da embaixada, localizado no bairro de Mazraa, na capital síria.
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Projéteis caem em complexo da representação diplomática da Rússia e em parque próximo, durante manifestação síria pró-Moscou
Os manifestantes estavam acenando bandeiras russas e segurando cartazes com a foto de Vladimir Putin. Houve pânico generalizado, mas não houve registro imediato de mortos ou feridos. Testemunhas disseram que um dos foguetes caiu num parque próximo à embaixada, enquanto o outro caiu dentro do complexo, mas não atingiu nenhum edifício. O ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, qualificou o bombardeio como um "ato de terrorismo". O Observatório Sírio para os Direitos Humanos afirmou que os foguetes foram disparados a partir de áreas periféricas no leste de Damasco, onde rebeldes islâmicos estão entrincheirados. A embaixada russa já havia sido alvo de ataques de foguetes antes. Em maio, uma pessoa foi morta por tiros de morteiro que caíram nas proximidades. Outras três pessoas ficaram feridas em abril, quando morteiros caíram dentro do complexo. Em 21 de setembro, nove dias antes de a Rússia iniciar suas operações de ataques aéreos na Síria, Moscou exigiu uma "ação concreta", depois que uma bomba atingiu o complexo da embaixada em Damasco. UE condena ataques russos Os ministros do Exterior da União Europeia (UE), em reunião na segunda-feira em Luxemburgo, condenaram com veemência os ataques aéreos realizados pela Rússia na Síria a alvos que não sejam posições do "Estado Islâmico" (EI) e apelaram a Moscou para que utilize sua influência política no país árabe para possibilitar uma solução política para o conflito. – Os ataques militares da Rússia que vão além do Daesh (nome em árabe para o EI) e outros grupos designados pela ONU como terroristas, e que visam também grupos moderados de oposição, são extremamente preocupantes e devem cessar imediatamente – diz uma declaração conjunta dos ministros. – A escalada militar arrisca prolongar o conflito, solapando o processo político, agravando a situação e aumentando a radicalização – afirmam os ministros. A UE vem tentando alcançar uma linha política comum para lidar com os quase cinco anos de guerra civil na Síria. Um acordo interno se tornou ainda mais urgente com o aumento do fluxo de refugiados sírios rumo à Europa. O debate gira em torno de qual seria a melhor forma de atingir dois objetivos: a condução de uma transição política que aborde também as raízes do conflito e as formas de derrotar militarmente o EI. Em busca de uma solução política As duas semanas de bombardeios russos complicaram ainda mais a situação. Moscou afirma que seus alvos são o EI e outras organizações terroristas, mas países ocidentais denunciam que os ataques aéreos de Moscou atingem principalmente grupos rebeldes apoiados pelo Ocidente, ao mesmo tempo que fortalecem o regime do presidente Bashar al-Assad. A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, comentou nesta segunda-feira que a intervenção russa é algo "muito mais complicado do que simplesmente dizer se é positiva ou negativa". Ela acrescentou que as ofensivas "devem ser coordenadas, caso contrário arriscam ser extremamente perigosas, não apenas do ponto de vista político, mas também militar". A UE insiste que Moscou trabalhe em favor de uma transição política na Síria, com o apoio da ONU. Entretanto, os países do bloco se dividem sobre como essa transição deverá ocorrer e qual seria o papel de Assad nesse processo. Alemanha, Espanha e Reino Unido defendem que o presidente sírio tenha algum papel no processo de transição, enquanto França e outras nações afirmam que ele deve se afastar antes que qualquer medida seja tomada. Ao final, os países da UE concordaram que "não é possível haver paz duradoura na Síria sob a atual liderança", formulação que deixa em aberto a possibilidade de Assad ter um papel numa transição de poder. Assad "não poder ser parceiro" na luta contra o EI Os Estados-membros da UE, porém, parecem concordar que Assad não deve participar da luta contra o EI, enquanto a Rússia defende que o regime deve ser incluído numa ação militar contra os extremistas. A declaração dos ministros do Exterior da UE afirma que, "como consequência de suas políticas e ações, o regime de Assad não pode ser um parceiro na luta contra o Daesh". Os ministros apelam "àqueles que exercem influência nas partes envolvidas, incluindo o regime sírio, para que usem essa influência para encorajar um papel construtivo no processo que deverá conduzir à uma transição política e para acabar com o ciclo de violência". A Rússia deve "pressionar por uma redução da violência e pela implementação de medidas de fortalecimento da confiança por parte do regime sírio".
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