Festival de Berlim – Pina Bausch de Wenders
13/2/2011 16:50, Por Rui Martins, - de Berlim
Wim Wenders queria fazer um filme com uma das maiores coreógrafas e bailarinas do mundo, Pina Bausch. Depois de ter visto Café Mueller, em 1985, tinha se aproximado de Pina e imaginado um filme, mas não sabia como proceder. Enfim, quando viu um filme 3D do grupo U2, concluiu que a terceira dimensão seria a melhor fórmula. Conversou com Pina e já havia acertado com ela o projeto. Pina ficaria ao seu lado nas filmagens e visionaria as filmagens à medida que fossem feitas, para as correções se houvesse.
As filmagens deveriam começar na tournée do balé de Pina Bausch pela América do Sul e prosseguir numa tournée pela Europa. A única exigência feita por Pina era a de não ter de dar explicações sobre sua dança, com o que Wenders concordara.
Entretanto, em junho de 2009, Pina morreu de um câncer fulminante. Mesmo assim, Wim Wenders manteve o projeto e como afirmou para a imprensa, aqui em Berlim, « as filmagens foram feitas como se Pina estivesse presente ». Mesmo porque todas as danças seguem a coreografia de Pina com os bailarinos de Pina do Teatro de Wupertal.
No filme Pina, Wenders concretizou o projeto de filmagens em Terceira Dimensão, 3D, para explorar a profundidade do espaço do palco e dar aos espectadores a impressão exata de estarem num teatro. Pina, ela mesma, havia selecionado alguns balés de seu repertório, como Café Mueller, A Sagração da Primavera, Lua Cheia e Kontakhof. Depois de fazer o filme, Wenders chegou à conclusão que a Terceira Dimensão é a mídia ideal para espetáculos de dança.
Essa homenagem póstuma com o nome da coreógrafa não é um documentário sobre a vida de Pina Bausch como se poderia esperar. É um depoimento dos bailarinos de Wupertal sobre aquela com quem trabalharam tantos anos, seguido de danças de cada um ou do grupo, seja na rua, no palco, num café, num jardim, mas sempre em Wupertal. Forte, emocionante, o filme revive, com músicas diversas, inclusive uma de Caetano Veloso, as danças de Pina, imortalizando sua arte.
Wim Wenders explicou ter procurado filmar sem incomodar os bailarinos, apesar de haver um guindaste sustentando as duas câmeras 3D e mais um trailing, mesmo porque tinha estudado previamente as coreografias e sabiam em quais pontos deveria intervir. As duas cãmeras 3D exigiam mais iluminação e, por isso, procurou não incomodar os espectadores nas filmagens de espetáculos com público.
Algumas bailarinas presentes em Berlim, confirmaram terem se habituado com a presença de todo o aparato de filmagem e terem dançado como sempre. Wenders também contou que a cidade de Wupertal, onde foram feitas muitas cenas, era importante para Pina, que ali viveu 40 anos, se inspirando ali para as duas novas peças de balé que criava por ano.
Rui Martins, jornalista, escritor, correspondente em Genebra, convidado do Festival de Cinema de Berlim.
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