Executivo do Deutsche Bank duvida que Grécia possa pagar suas dívidas

14/5/2010 9:28,  Redação, com agências internacionais

O euro estendia suas perdas na manhã desta sexta-feira, atingindo a mínima em 18 meses ante o dólar. O euro caiu a US$ 1,2445 na mínima. Em relação ao iene, a moeda europeia recuava 1%, para 114,85 ienes.

– O clima está bastante negativo para o euro – disse um operador londrino.

O chefe do Executivo do Deutsche Bank, Josef Ackermann, compartilha da mesma opinião e lançou dúvidas sobre a capacidade de a Grécia reembolsar a sua dívida, em uma entrevista de TV. Ele afirmou que serão necessários US$ 1 trilhão para ajudar a estabilizar a Itália e a Espanha, enquanto a situação em Portugal é mais difícil de ser gerida.

Quanto à Grécia, Ackermann – um dos principais banqueiros da Europa, que ajudou a montar um pacote de resgate do setor privado para os gregos – questionou a capacidade daquele país de cumprir com seus compromissos, de acordo com trechos de uma transcrição para o talkshow Illner Maybrit, transmitida na televisão alemã ZDF na noite passada.

A Grécia tem sido forçada a implementar medidas de austeridade duras, como condição prévia para receber ajuda internacional, o que tem provocado protestos generalizados no país do sul da Europa.

– Se a Grécia durante este período de tempo assumir uma posição de trazer à força o controle sobre a economia, quanto a isso tenho as minhas dúvidas – disse Ackermann, acrescentando que isto vai requer “esforços incríveis.”

Se a Grécia vier a “cair”, este movimento poderia se espalhar para outros países e levar a “uma espécie de fusão”, disse Ackermann à ZDF.

A Grécia é o primeiro país em 11 anos de União Monetária Europeia a exigir um compromisso político de apoio e a situação de sua dívida provocou um ataque aos mercados que tem prejudicado a euro e exigido que os governos europeus se mobilizem em socorro aos países endividados. Graças ao pacote trilionário de resgate, montado para estabilizar o euro, Ackermann acredita que na Itália e na Espanha o serviço da dívida será “bastante forte”, limitando a probabilidade de contágio, mas acrescentou que, no caso de Portugal a situação é “mais difícil”.

Mais esforços 

A Europa, no entanto, tende a intensificar os esforços para reverter a situação financeira da Grécia, para evitar a necessidade de reestruturar sua dívida, uma vez que esta teria um impacto bancos alemães, disse Ackermann disse ao show. O Deutsche Bank disse que os bancos europeus podem enfrentar perdas de até 50 bilhões de euros (US$ 63.500 milhões) ou atingir cerca 75 bilhões de euros, se a crise da dívida grega continuar a crescer e os bancos se verem obrigados a promover um “corte” da dívida soberana da Grécia.

Apesar da turbulência, a zona euro continua a ser mais forte do que os Estados Unidos ou o Reino Unido, disse Ackermann no programa. A Alemanha, em particular com a sua forte dependência das exportações, será beneficiada com um euro mais fraco, acrescentou. Ackermann disse que o euro se manteve fundamentalmente forte, e disse que não vê nenhum perigo de inflação na UE “nos próximos dois ou três anos”.

Ackermann acrescentou que não teria sido possível alcançar o acordo de estabilização da zona do euro mais cedo, mas disse que um diálogo mais preciso foi necessário entre peritos financeiros e políticos. O banqueiro tem desempenhado um papel fundamental na mobilização do setor financeiro da Alemanha, no sentido de persuadí-lo a emprestar mais  8 bilhões de euros em três anos e acrescentar uma ajuda de 110 milhões de euros à Grécia.

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