Evolução darwiniana

16/7/2011 1:44,  Por CMI Brasil

Por Gerhard Grube 16/07/2011 às 01:39

Fora de dúvida que a seleção natural de Darwin é correta. Pelo menos, ninguém ousa contestar.

Perpetuam-se, quando vantajosas, as pequenas alterações hereditárias. Modificando gradualmente as espécies. Que se transformam em outras espécies.
Apenas 150 anos atrás esta foi a proposta de Charles Darwin no seu livro “A Origem das Espécies”. Nada mais que duas vidas humanas atrás.

Longamente descreve neste seu livro a discussão sobre o que é espécie e o que é variedade. Dúvida que persiste na paleontologia e principalmente na paleoantropologia. É espécie ou variedade?
Cada qual descobre o seu homo ou piteco e o apresenta como grande novidade. Mas não consegue dizer se é espécie ou variedade. Sabemos muito pouco sobre a origem do ser humano. E da vida em geral.

Darwin desconhecia (aliás, como todo mundo na época) o trabalho de Gregor Mendel (hoje considerado o pai da genética) com suas ervilhas verdes, amarelas, lisas e rugosas, que foi publicado na mesma época. Nem falar então dos genes, mutações e DNA, coisas moderníssimas.

Neste livro, ele mesmo ressalta os muitos problemas da sua teoria. Entre eles a explosão de vida no cambriano, aparentemente sem precursores. A distribuição mundial de espécies iguais ou muito semelhantes. A ausência dos intermediários, espécies que necessariamente deveriam existir, mas não eram encontradas.
E o surgimento de órgãos complexos como o olho e a capacidade de voar, não sendo fácil explicar como sendo decorrente de pequenas alterações sucessivas. Só verdadeiramente vantajosos depois de prontos. Quando só então os seres dotados de olhos e asas seriam mais competitivos. Etc.

Mas a grande polêmica era que as espécies não eram imutáveis, contrariando o criacionismo religioso. Isso foi desmontado por ele. E seria por qualquer um que observasse, por exemplo, as asas de um morcego. Inquestionavelmente, garras modificadas.

Na época errava-se enormemente na estimativa da idade da vida na Terra, das rochas e solos e do próprio planeta. Corrigida pelos métodos de datação carbono 14, termo-luminescência, potássio-argônio etc. Pensava-se em termos bíblicos. Atualmente multiplicado milhares e milhões de vezes.

A ciência evoluiu enormemente, mas dúvidas persistem. Como por exemplo, o sopro inicial de vida no planeta. Ninguém esclarece isso. O que não significa que tenha que existir Deus, por exemplo.
O fato de não existir explicação, não significa que qualquer explicação sirva.

A hélice do DNA é um código, como o código de programação de computador. Instruções para que as células produzam proteínas. Como elas fazem isso, não se sabe. O zigoto começa dividir-se em dois, quatro, oito etc., também não se sabe por que isso acontece.

Qualquer programador de computador sabe que para obter o resultado desejado é preciso trabalhar com afinco no sentido de alcançar o objetivo. Corrigindo os erros de programação até que o programa funcione bem. Nunca nada será conseguido com tentativas aleatórias. Nem mesmo com trilhões de tentativas a esmo.
Seria como um tornado passar por um ferro velho e deixar para trás um Boeing 707 perfeito, pronto para levantar vôo. Simplesmente uma impossibilidade.

Assim também, deve ser muito improvável obter aleatoriamente um olho com lente ajustável, identificação de cores e visão tridimensional.
A vida evolui, indiscutivelmente. É fácil observar. Mas aparentemente precisa existir a intenção, um direcionamento. Sem o que nada parece ser possível.

Se a evolução faz os seres vivos cada vez mais adaptados e competitivos, porque até hoje a vida não evoluiu para espécie única, a mais capaz e competitiva de todas? Capacitada a enfrentar todas as pequenas e grandes adversidades ambientais? Sem ser presa nem parasitada por nenhuma outra espécie?
Um ser vivo que lograsse obter energia, os elementos e substâncias necessárias autonomamente, sem depender de outras formas de vida. Por que não é essa a tendência?

É justamente o contrário, quanto maior a diversidade, maior a interação e mais a vida prolifera. Os muitos nichos ecológicos sendo ocupados por cada vez mais espécies. A competição afinal parece não resultar no que se deveria esperar, na diminuição da diversidade.

O ser humano é quase um destes, todo poderoso. Obtém sua energia de muitas maneiras e coloca à sua disposição qualquer elemento químico ou substância que considera útil e proveitoso. Mas precisa alimentar-se de outros seres vivos. Ou seja, não é totalmente independente.
Pode se quiser destruir todos os demais seres vivos. E está fazendo isso.
Mas com isso, ele mesmo vai acabar perecendo.


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2 Comentários para “Evolução darwiniana”

  1. Marcelo Freire Cozzolino

    A meu ver há erros de interpretação científica neste texto. Um olho não é uma estrutura complexa que só funciona completa, do jeito que é hoje. Os “olhos” mais primitivos são apenas superfícies que só detectam claridade. Outro erro crucial na finalização do texto é achar que uma espécie única seria o fim a se esperar. A diversidade é que dá segurança para a continuação da existência da vida nas mudanças climáticas: dependendo da mudança que ocorrer espécies diferentes irão sobreviver. Se fossem todas iguais poderia ocorrer a extinção total da vida. Isso não é um processo planejado, mas também uma seleção natural. Algo semelhante vemos nas monoculturas, onde uma praga pode dizimá-la, o que não ocorreria se a cultura fosse diversificada (e por isso acabam usando agrotóxicos em excesso). Predadores servem para controlar a população de suas presas. Esse controle poderia ser da própria espécie da presa, diminuindo a fertilidade. Mas isso é um processo mais complexo de acontecer e acaba o mais normal é um auto-controle ecológico baseado na violência. Este auto-controle da espécie já existe nos predadores, mas também é baseado na violência poi o predador mata o rival que invade seu território.
    Para os que se incomondam com a violência, mesmo a natural, e que gostaria de um mundo sem predadores, e eu me incluo nesses, tudo que digo é que esse não é um processo natural e só ocorrerá se for implantado por algum ser inteligente.
    O universo é o que é, independente do que achamos moralmente. Temos algum poder transformador, e devemos usá-lo na defesa de princípios morais. Mas não devemos esperar que as leis da natureza tenham princípios morais.

  2. carlos holst

    As colocações de M. Cozzolino são pertinentes. E observa ainda que os princípios morais são uma conceituação de violência ou paz adequada aos nossos interesses sendo uma questão cultural meramente humana.
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    Moral ( do Latim ) e ética ( do Grego ) tem o mesmo significado.
    Não obstante poderíamos dizer que o Universo tenha uma moral-ética ordenadora a qual atualmente denominamos de ” leis da Física”.

    Mas o termo “leis”, para a Física, é um tanto inadequado porquanto que é decorrente da questão jurídica, religiosa,cultural. O Universo não tem leis, é o que é, como diz Cozzolino. Assim o Universo também não evolui nem involui, conceitos estes também meramente humanos.

    Contudo se MODIFICA, constantemente.

    Do mesmo modo, as “espécies”: dizer que evoluam ou involuam é relativizar aos nossos conceitos. As espécies se adaptam aos lugares e daí a diversidade. ( a tendência a uma só espécie – somente em um ambiente absolutamente uniforme e perene o que não existe na Terra ou em outros planetas.)

    Deste modo, a suposição generalizada de que os seres humanos sejam uma forma (mais) evoluída e inteligente, como se costuma dizer, pode ser assim uma conclusão precipitada da nossa “espécie”.
    Não somos tão inteligentes quanto acreditamos.

    Quanto ao Criacionismo versus Evolucionismo, ou, Gênesis versus Ciência, deveria-se notar a extrema semelhança entre a antiga tese de Zaratustra e a moderna de Darwin. Considerando-se o enorme hiato de tempo entre ambas pode-se dizer que apresentam, cada uma a seu modo e limites, a mesma visão.

    A começar pela “criação da luz” e o “big-bang”, indubitavelmente ambos o mesmo fato, continuando por um processo “evolutivo” e finalizando pelo surgimento da humanidade.

    Note-se ainda que no tempo de Darwin nada se sabia do big-bang (assim como das pesquisas de Mendel) e por isto não pode ele perceber a similaridade entre o Gênesis e a Ciência. Surgiu assim a divergência que até hoje gera controvérsias, desnecessariamente.
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    Nota para a redação- disponibilizo meu e-mail para correspondência se os editores desta coluna assim considerarem adequado às normas internas. Do mesmo modo, aceito uma possível moderação ao meu comentário em ser excluído da secção.
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