Escritor francês Le Clézio é o novo Nobel de Literatura

9/10/2008 12:24,  Redação, com Reuters

Seu primeiro romance foi Le proces-verbal (O Interrogatório), escrito quando tinha 23 anos

Seu primeiro romance foi Le
proces-verbal (O Interrogatório), escrito quando tinha 23 anos

O escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, descrito pela Academia Sueca como “nômade” devido a suas viagens pelo mundo, que se refletem em sua obra, recebeu nesta quinta-feira o prêmio Nobel de Literatura de 2008.

A Academia, que escolhe o ganhador do prestigioso prêmio de 10 milhões de coroas suecas (1,4 milhão de dólares), elogiou o escritor de 68 anos por seus romances cheios de aventura, ensaios e obras de literatura infantil.

- Suas obras têm um caráter cosmopolita. Francês, sim, porém mais do que isso, um viajante, cidadão do mundo, nômade - disse Horace Engdahl, secretário permanente da Academia Sueca, em entrevista coletiva convocada para anunciar o laureado.

Nascido em Nice, Le Clézio mudou-se para a Nigéria com sua família aos 8 anos de idade. Escreveu seus primeiros trabalhos – Un Long Voyage e Oradi Noir – durante a viagem à Nigéria, que levou um mês.

De acordo com o site da Academia Sueca, ele estudou inglês numa universidade britânica e lecionou em instituições em Bangkok, Cidade do México, Boston, Austin e Albuquerque, entre outras.

Le Clézio passou longos períodos no México e América Central, e em 1975 se casou com uma marroquina. Desde os anos 1990 ele e sua mulher dividem seu tempo entre Albuquerque, no Novo México, Nice e a ilha de Maurício.

Seu primeiro romance foi Le proces-verbal (O Interrogatório), escrito quando tinha 23 anos. O livro recebeu o prêmio Renaudot na França.

Visto nos anos 1960 como escritor experimental, Le Clézio se interessou por muitos temas, incluindo o meio ambiente e a infância.

O livro que lhe deu fama foi Desert, de 1980, que, segundo a Academia Sueca, “contém magníficas imagens de uma cultura perdida no deserto do norte da África, contrastado com o retrato da Europa visto através do olhar de imigrantes indesejados”.

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, saudou o prêmio dado a Le Clézio.

- Esta honra magnífica coroa uma das criações literárias mais notáveis de nossos tempos e um dos estilos de escrita mais exigentes e inventivos - disse Kouchner em comunicado à imprensa.

- De Albuquerque a Seul, de Nova York ao Panamá, de Londres a Lagos, Jean-Marie G. Le Clézio vive, viaja, conhece e ama muitos países, povos, civilizações e culturas - acrescentou.

A fase que antecedeu a entrega do Nobel de Literatura deste ano foi dominada por controvérsia, depois de Engdahl ter dito que os Estados Unidos são demasiado insulares e não participam do “grande diálogo” da literatura mundial.

Feitos a uma agência de notícias, seus comentários desencadearam uma tempestade de reações iradas de escritores e críticos norte-americanos.

A última vez em que o prêmio Nobel de Literatura foi dado a um americano foi em 1993, quando a premiada foi a romancista Toni Morrison.

Todos os prêmios Nobel, exceto um, foram criados no testamento do magnata Alfred Nobel e são entregues desde 1901. O Nobel de Economia foi criado pelo Banco Central sueco em 1968.

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