Elza Campos: Trabalhadoras rumo à Marcha das Margaridas 

A 4ª Marcha das Margaridas se constituirá no maior evento do Brasil em 2011. Com o lema “Margaridas na luta por Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”, este poderoso movimento tomará a capital federal nos dias 16 e 17 de agosto, com a presença cem mil mulheres do campo e da floresta, apoiadas pelas companheiras da cidade.

Por Elza Campos*
Serão milhares de “Margaridas” gritando por melhores condições de vida e trabalho no campo e contra todas as formas de discriminação e violência contra a mulher.

A quarta edição da Marcha traz também o tema “2011 Razões para Marchar por Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Liberdade e Igualdade”. E com ele as mulheres do campo e da floresta denunciam o modo de produção capitalista, que reproduz a lógica patriarcal e machista ao não reconhecer o papel social das mulheres na construção da riqueza social. E que atribuiu historicamente aos homens o direito de ter a mulher como sua propriedade.

A Marcha das Margaridas vem se consolidando e levantando a luta contra a fome, a pobreza e a violência sexista. O evento cresce a cada mobilização nacional realizada. No ano em que foi lançado, em 2000, reuniu 20 mil mulheres. Em 2003 houve uma crescente participação das mulheres e, na última edição, em 2007, foi contabilizada a presença de 50 mil companheiras. Este ano, aproximadamente 100 mil mulheres homenagearão Margarida Maria Alves, símbolo da luta das trabalhadoras rurais por terra, democracia, trabalho justiça e dignidade. Esta brava dirigente sindical assumiu por 12 anos a presidência do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande, no estado da Paraíba. Além de sua luta sem trégua na defesa intransigente pela reforma agrária, Margarida também lutou contra o analfabetismo. O seu brutal assassinato aconteceu em 12 de agosto de 1983, quando foi alvo da covardia dos usineiros locais e latifundiários do Grupo Várzea, os quais representam os grupos dominantes e reacionários do país.

A manifestação das mulheres campesinas, que também lembrará os 27 anos do assassinato da líder sindical, é coordenada pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, dirigido pela Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e por 27 federações de trabalhadores/as de todo o país através da Secretaria de Mulheres da Contag e conta com diversas apoiadoras e entre estas a União Brasileira de Mulheres (UBM).

UBM em ação

A União Brasileira de Mulheres está engajada na 4ª Marcha das Margaridas, juntamente com as seguintes entidades: Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste, Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, Conselho Nacional das Extrativistas, Central Única dos Trabalhadores, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Movimento Articulado das Mulheres da Amazônia, Articulação de Mulheres Brasileiras, Rede de Mulheres da América Latina e Caribe, Marcha Mundial das Mulheres, Confederação Internacional de Organizações de Produtores Familiares, Campesinos e Indígenas do Mercosul Ampliado.
Os temas de discussão e de luta do movimento colocam a centralidade do debate das mulheres do campo e da floresta que deve ter toda solidariedade das companheiras da cidade e das feministas da UBM.

Entre os assuntos tratados estão o desenvolvimento sustentável com justiça social, articulado com a plataforma política do movimento como a democratização dos recursos ambientais, a terra, água e ecologia, a soberania e segurança alimentar, a autonomia econômica, trabalho e renda, a educação não sexista, sexualidade e violência, saúde e direitos reprodutivos e a democracia, poder e participação política, entre outros.

Estas lutas, traduzidas em todo o grito das “Margaridas”, têm um caráter político da maior relevância, pois denunciam as desigualdades e injustiças históricas de nosso país, sendo que a parcela mais atingida são as mulheres.

As mulheres que protagonizaram e já estiveram presentes em grandes lutas populares em todos os tempos e lugares, estarão marchando nesta luta vigorosa que marcará o ano de 2011 como o mais poderoso ato político no país. Juntas, elas ousam sonhar e construir um mundo diferente, verdadeiramente justo e igualitário, e já deram provas no passado de compromisso democrático na luta por liberdades políticas para o povo brasileiro.

A realização da 4ª Marcha das Margaridas neste ano, com o ineditismo da primeira presidente do Brasil, terá um novo e importante elemento: o de acreditar que é possível mudar. Mas as mulheres querem mais! Buscam uma nova perspectiva assentada em um projeto nacional de desenvolvimento que tenha como centro os direitos sociais, a distribuição de renda, a igualdade de direitos, o aprofundamento da democracia e a participação política das mulheres rumo à emancipação feminina e de toda sociedade.

Cabe às feministas emancipacionistas da UBM a incorporação firme e decidida neste movimento social de grande envergadura, pois a Marcha das Margaridas – ao afirmar a resistência e a convicção da organização social – coloca o protagonismo das mulheres como sujeitos ativos pela transformação social e pela libertação das mulheres e de toda a sociedade.

*Elza Maria Campos é Coordenadora Nacional da UBM, integra o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e participa da organização da Marcha das Margaridas