Ele faz a cabeça do público no Carnaval de Jundiaí

24/1/2012 11:59,  Por Prefeitura de Jundiaí

Logo de cara, fica fácil descobrir o porquê do apelido. “Cabelo”, como é chamado pelos mais chegados, tira um surrado boné de pano da cabeça e revela uma vasta cabeleira. Seu dono é o escultor paulistano Jefferson Cristino, de 24 anos. O artista concilia a habilidade manual à imaginação que não conhece fronteiras. Cabelo é um dos muitos anônimos que ajudam a dar vida ao Carnaval de Jundiaí.

É difícil imaginar que do meio de um amontoado disforme de espuma, isopor, madeira e ferro, todos espalhados pelo barracão, seja possível brotar tantas cores, formas, movimentos, alegria. “Agora, trabalho nessa coluna grega. O meu trabalho aqui é de empapelagem, ou seja, eu cubro todo o isopor com papel para que depois isso possa ser pintado”, explica.

Na reta final para a festa, Cabelo corre contra o tempo para deixar tudo pronto

O jovem de Itaquera já é quase um veterano no Carnaval da cidade. “É o quarto ou quinto ano que participo”, diz. A primeira vez em que aliou as curvas das esculturas ao batuque do Carnaval foi em Jundiaí. “Foi emocionante ver o produto desse trabalho coletivo na avenida. Quando você dá conta de que todas as partes estão juntas, somadas à bateria, ao samba-enredo… é algo que ganha outra proporção”, afirma.

E, pelo jeito, tem valido mesmo a pena. Recém chegado à cidade, há uma semana, Cabelo está dormindo no próprio barracão para ganhar tempo e não atrasar a sua parte. “Tenho trabalhado umas 15 horas por dia, até de madrugada. Banho mesmo, só no ateliê da agremiação”. De vez em quando, ele ainda arruma tempo para passar o café.

Um cavaleiro romano emerge das ruínas, amparado pelas mão do artista

O gato que caiu no samba
Além da sensibilidade no manuseio dos materiais, Cabelo diz que não tem muito samba no pé. “Aprendi a gostar, porque não dá para fazer isso aqui se a gente não gosta. O primeiro ano é decisivo; ou você não volta mais ou não para mais.”
Entre uma pincelada e outra, surgem um imponente guerreiro romano, cavalos a todo trote e uma biga de corrida. Só o guerreiro tem quatro metros. “Para essa escultura eu restaurei muitos outros materiais de outras alegorias, de outros carnavais, até de outras cidades. A gente reaproveita muita coisa aqui”.

O fato curioso é que algo muito mais inofensivo do que um soldado armado marcou a memória do escultor. Um singelo gatinho, de quatro metros de altura e dez metros de comprimento. “Era uma escultura toda de ferragem, onde eu fiz a cabeça. Ficou demais”.

Cabelo deve fazer a cabeça do público jundiaiense com suas crias. O público pode esperar novidades para esse ano, assegura o artista. “ Vai ter bastante inovação na parte dos movimentos das esculturas. Está ficando mais real”, adianta.

Fotos: Divulgação


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