Dinamarca dificulta ao máximo entrada de imigrantes
Se algum imigrante estava pensando em se deslocar até o Reino da Dinamarca, melhor fazer um curso rápido do idioma porque este passou a ser um quesito básico para o ingresso no país.
Segunda, 07 de Setembro de 2015 às 13:37, por: CdB
Por Redação, com agências internacionais - de Beirute, Bruxela e Copenhague
Se algum imigrante estava pensando em se deslocar até o Reino da Dinamarca, melhor fazer um curso rápido do idioma porque este passou a ser um quesito básico para o ingresso no país. Na contramão da tentativa de solução para o maior drama humanitário do planeta, desde a II Guerra Mundial, o governo dinamarquês publicou, neste sábado, anúncios nos quatro maiores jornais do Líbano para advertir potenciais candidatos à migração e requerentes de asilo de que as autoridades de Copenhague endureceram as condições de permanência no território dinamarquês:
“A Dinamarca decidiu endurecer as regras que são aplicadas aos refugiados”, diz a campanha publicada por três diários em língua árabe e um em inglês.
Os anúncios também informam que os apoios sociais para os novos migrantes foram reduzidos em “até 50%” e que o reagrupamento familiar não é autorizado durante o primeiro ano para os titulares de uma autorização de residência temporária. A campanha alerta ainda que, para ficar na Dinamarca, é preciso falar e compreender dinamarquês e que os que não tiverem autorização serão repatriados.
A ministra responsável pela pasta da Imigração e da Integração, Inger Stojberg, é membro da ala à direita do partido liberal Venstre
Em Copenhague, a ministra responsável pela pasta da Imigração e da Integração, Inger Stojberg, membro da ala à direita do partido liberal Venstre, justificou que a campanha “visa a informar objetivamente e com sobriedade” as regras dinamarquesas. “Considerando as chegadas na Europa, há boas razões para endurecer as regras e informar sobre isso”, escreveu a ministra no Facebook.
Uma porta-voz do Ministério da Imigração e da Integração dinamarquês desmentiu informações de que cinco jornais da Turquia recusaram publicar a campanha de Copenhague. A Dinamarca recebeu cerca de 15 mil pedidos de asilo em 2014, quase o dobro dos registrados no ano passado.
Na semana passada, o governo da Hungria já tinha anunciado que ia lançar uma “campanha de informação” nos países de origem e trânsito dos refugiados no Oriente Médio para explicar que Budapeste endureceu as leis contra a travessia ilegal da fronteira húngara e o tráfico humano.
Segundo comunicado do governo húngaro, o objetivo é avisar que a Hungria “vai punir com toda a severidade legal todos os migrantes que entrem no país de forma ilegal”. A campanha é assinada pela agência de publicidade J. Walter Thompson (com sede em Nova York) e terá cartazes em vias públicas dos países de origem dos refugiados, afirmou ainda o governo de Budapeste. A campanha também prevê folhetos de informação e uma página na internet.
A maioria dos migrantes que tem chegado nas últimas semanas ao território húngaro é procedente da Síria, do Afeganistão e Iraque, enquanto os principais países de trânsito para chegar a Hungria são a Sérvia, Macedônia e Grécia. A nova legislação anti-imigração húngara entrará em vigor no próximo dia 15 de setembro e prevê, entre outros aspetos, que a imigração ilegal seja passível de punição com prisão de até três anos.
Novas cotas
Ainda nesta segunda-feira, o executivo da União Europeia também estabeleceu novas cotas nacionais de acolhimento a postulantes a asilo, segundo as quais a Alemanha irá acolher mais de 40 mil e a França 30 mil de um total de 160 mil candidatos que o organismo quer que sejam realocados da Itália, da Grécia e da Hungria, informou uma fonte do bloco nesta segunda-feira.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deve revelar as novas propostas na quarta-feira. Autoridades da UE afirmaram que ele irá propor que mais 120 mil pessoas sejam realocadas, além das 40 mil que a comissão já havia recomendado transferir.
A proposta inicial de realocar refugiados que chegaram à Itália e à Grécia também deve ser ampliada para incluir os refugiados que têm entrado na Hungria.
Os países-membros rejeitaram cotas nacionais vinculantes em junho, mas como suas ofertas voluntárias ficaram aquém de 40 mil e o número de pessoas chegando à Europa disparou, a comissão, apoiada por Alemanha e França, está pressionando os governos a aceitar a distribuição feita para eles em Bruxelas.
Embora a Alemanha tenha dito estar pronta para receber muitos refugiados e o presidente François Hollande tenha confirmado a disposição da França para absorver sua parcela segundo as diretrizes da Comissão Europeia, as cotas podem criar novas resistências em governos que se dizem incapazes de lidar com tal quantidade de pessoas.
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