Dilma não é traidora e o pré-sal é nosso

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Publicado Quinta, 25 de Fevereiro de 2016 às 11:49, por: CdB

"Não temos de criticar Dilma, apontar o dedo, chamá-la de traidora. Não, não é. É presidenta num contexto político duro, de disputa intensa, frágil politicamente", afirma Gleisi

Por Gleisi Hoffmann - de Brasília
A votação no Senado nesta quarta-feira foi, para mim, o símbolo mais forte da luta política que estamos enfrentando no país hoje. Uma luta que disputa a concepção de Estado que queremos. Foi realmente duro receber no final do processo de votação uma proposta do governo para flexibilizar a participação da Petrobras na exploração do pré-sal, maior reserva de petróleo do mundo, recentemente descoberta. Difícil também votar contra o governo, contra o meu governo, nosso governo.
gleise.jpgEm seu artigo, a senadora petista paranaense Gleisi Hoffmann alerta para as batalhas políticas em curso no governo Dilma
Desde que se iniciou a discussão sobre as mudanças de regras no pré-sal temos nos articulado e resistido. Nem o governo nem a presidenta Dilma orientaram a bancada a ter outra posição. Entendemos, também, desde o início, que o governo não iria se envolver diretamente na disputa (sua posição sempre foi clara a respeito do pré-sal), dado que parte expressiva de sua base, e particularmente o presidente do Senado, senador Renan Calheiros, grande apoiador do governo, tinha interesse na matéria. Um governo de coalizão cobra seu preço. Essa não era uma disputa entre governo e oposição, mas uma disputa sobre a estratégia que um país, detentor de um grande tesouro, tem de adotar para utilizá-lo. Fizemos as primeiras resistências e conseguimos a vitória de segurar o projeto no ano passado. Na noite passada, tínhamos a sensação de disputa apertada, até em razão da votação do dia anterior, do requerimento de retirada de urgência do projeto, que perdemos por apenas dois votos. Diante disso, avaliamos que poderíamos ganhar a votação. Fomos à luta. Isso com certeza também teve impacto no PSDB e setores do PMDB que antes avaliavam que ganhariam a votação independente de posicionamento do governo.

Dilma e a governabilidade

O senador Renan Calheiros estava, pessoalmente, empenhado em aprovar a matéria. Desceu ao plenário para conversar com os colegas. Respeito o senador Renan, que tem sido um presidente do Congresso equilibrado e é, sem dúvidas, um grande apoiador e articulador da governabilidade da presidenta Dilma. Por convicção, ou por ter de cumprir um acordo com a oposição, Renan, temendo perder a votação, cobrou de Dilma um posicionamento mais firme em relação ao tema. Saiu, daí, o substitutivo aprovado. Sem ele, acredito que ganharíamos a votação. Não temos de criticar Dilma, apontar o dedo, chamá-la de traidora. Não, não é. É presidenta num contexto político duro, de disputa intensa, frágil politicamente, que governa com uma composição de forças políticas que têm grandes contradições entre si. Nosso papel é disputar as posições do governo e dentro do governo, que também é nosso, ajudando-o a progredir. Se posicionar contra o governo é tudo o que a direita quer. Vamos defender nosso governo, vamos defender Dilma! E vamos continuar disputando e cobrando o compromisso com o nosso projeto. Essa luta não está perdida, ainda tem a votação na Câmara e temos condições de nos organizarmos e nos mobilizarmos. A votação de ontem não teve folga expressiva, mostrando o quanto essa matéria mexe com o país e seus dirigentes. Cabe a nós mantermos a disputa sobre o que acreditamos, sobre os rumos do governo. Uma das principais qualidades do lutador é resistir aos golpes, continuando na luta! O pré-sal é nosso! Gleisi Hoffmann é senadora petista, pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional.
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