Dilma alerta aos EUA para não fazerem dos Direitos Humanos uma arma unilateral
31/1/2012 17:41, Por Redação, com agências internacionais - de Havana
A presidenta Dilma Rousseff conversou com os jornalistas, à saída do encontro com o presidente cubano, Raúl Castro, e falou que a questão dos direitos humanos deve ser discutida de maneira multilateral. O tema, segundo a dirigente brasileira, não deve ser usado para criticar apenas alguns países, como Cuba, cujo regime é acusado por dissidentes de violações.
– Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral. Nós não podemos achar que direitos humanos é uma pedra que você joga só de um lado para o outro, ela serve para nós também – disse a presidente a jornalistas.
Dilma chegou a Cuba na véspera para uma visita de dois dias. A jornada inclui reunião com o presidente cubano, Raúl Castro, mas um encontro com o ex-líder cubano Fidel não foi confirmado por seus assessores. O foco da visita da presidente é o comércio bilateral, e novos acordos comerciais com a ilha devem ser assinados. Ela visitará ainda o porto de Mariel, perto de Havana, onde o Brasil ajuda a financiar uma reestruturação de US$ 800 milhões.
Apesar de tentar manter a questão de direitos humanos longe da agenda de Dilma, o governo brasileiro colocou as autoridades comunistas da ilha em uma posição delicada na semana passada, ao conceder à blogueira cubana dissidente Yoani Sánchez um visto de turista para que ela visite o Brasil. Sánchez, uma das vozes mais críticas da blogosfera de Cuba, já recebeu antes outros vistos para viajar ao exterior, mas não obteve a permissão de saída que os cubanos precisam para deixar a Ilha. Fontes do governo cubano, no entanto, adiantam que Sánchez receberá o visto.
Questionada sobre as intenções da blogueira, que planeja vir ao Brasil em fevereiro para a estreia de um documentário sobre Cuba, Dilma disse que os procedimentos estão à cargo do governo cubano.
– O Brasil deu seu visto para a blogueira. Agora os demais passos não são da competência do governo brasileiro – disse Dilma.
Na quarta-feira, a presidente viajará ao Haiti, onde tropas brasileiras lideram a força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no país desde 2004.
Assista à entrevista, na íntegra:
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A palavra é elástica !!!
Tudo depende dos sinceros propósitos e das altas intenções….
Perfeito eu entendo que a presidente esta fazendo um papel muito importante de apaziguamento jogando agua no fogo fazendo assim uma politica comercial com cuba deixando a politica deles pra eles resolverem nos temos que fazerem como Janio Quadros falou em relação a Russia nos queremos o que eles tem la e queremos levar o que nos temos para eles isto e comercio agora a politica deles eles que resolvam
Dilma Rousseff deu uma entrevista que só um grande estadista daria. Afirmou-se mais ainda como uma líder mundial,que sabe se colocar a altura do papel que cabe ao Brasil na esfera internacional.
É um orgulho ter uma Presidenta tão digna e competente.
Como estadista e presidente é um fracasso total! Próprio de um país de ignorantes! Os direitos humanos não podem ser aplicados a Cuba. Ou seja, podem matar e prender à vontade que daremos nosso apoio! Um dia também faremos isso no Brasil e precisaremos do apoio de vocês!
Estamos todos nós, brasileiros, de parabéns pela sábia decisão que nos levou a eleger como nosso governante pessoa tão modesta, ponderada e capacitada.
Paulo Cesar, você leu a matéria inteira, ouviu a declaração da Presidente? Parece que não, né, porque Dilma Rousseff diz claramente que a questão dos direitos humanos deve ser tratada de forma multilateral. Isso significa que o problema não está só em Cuba, ou em qualquer país isoladamente. Os EUA acusam Cuba de ser uma ditadura, mas Guantânamo é uma base militar americana e é uma das maiores vergonhas mundiais em termos de violação de direitos humanos. O que a polícia militar de SP fez (sob ordens do Governador) na Cracolândia e no Pinheirinho também foi vergonhoso. Com que moral nossa estadista poderia chegar ao presidente de Cuba e falar de direitos humanos? Lá em Cuba essas ações desastradas da polícia não acontecem. Portanto, quem é o ignorante nessa história?
Dilma defender os direitos humanos em Cuba é bonito. Quero ver um cubano defender os direitos humanos em Cuba. Quantos já foram fuzilados por isso?
Reconhecer que nós temos telhado de vidro e não podemos atirar pedras é sem dúvida alguma conciencia legitima do que é atirar pedras, principalmente na casa alheia e o recado dado aos USA é nótorio e deve ser endereçados aos que usam a mesma hipocrisia dos americanos. Com que moral podem eles chamarem os outros de terroristas ? Sem nenhuma intenção de pregação religiosa, um judeu, ha dois mil anos, mandou atirar a primeira pedra quem estivesse sem pecado. Muito bom um poco de umildade e um bom espelho.E o que esta faltando a nivel geral a toda a humanidade. Todo mundo quer consertar a casa do vizinho, de acordo com seus interesses e esquece de consertar a sua, de acordo com os interesses da humanidade.
Égua, quanto a capacitação de Dilma, tenho minhas reservas, mas se tem duas coisas que COM CERTEZA ela não é, é modesta e ponderada!
Essa mulher é de uma prepotência absurda, nunca tendo participado de nenhum mandato eletivo, antes desse. Ela é uma imagem completamente construída pelos grandes marqueteiros desse país!
E, no sentido da reportagem, muito pertinente o comentário de Paulo Cesar Semblano da Costa: ela só faz isso, porque um dia vai querer o apoio de Cuba quando quiser violar direitos humanos, da mesma maneira que agora está apoiando.
Futuramente, não! Todos os dias acontecem violações de dh no Brasil! E Dilma (E VOCÊS!) ficam fazendo vistas grossas.
O que vemos é que realmente o comunismo cubano e a presidente Dilma Roussef têm histórias bastante parecidas: perderam seus ideais em algum lugar do caminho. Talvez o venderam ou tomaram gosto por uma hábito bastante comum entre os seus opressores: pisar no povo, em seus oponentes e nos mais necessitados.
A Presidente fala em direitos humanos de forma multilateral, mas esquece de dizer que seu governo viola nosso direito à legitima defesa, com sua política nefasta desarmamentiosta, tendo em seu bojo inverdades que arrepiam um careca. Cuba e o comunismo de outros países mostraram seu fracasso! A campanha antiarmas fere um direito inalienável que é a legítima defesa da vida. Quem tira os direitos do cidadão, vem depois com a tirania disfarçada: lei da mordaça, um judiciário corrupto (salvo as honrosas exceções) que não aceita ser investigado quando de fato dor necessário. Afinal, todos são funcionários públicos e não são donos da verdade e nem superiores à Lei. Mas, é Brasil…
Lorena se Lima:
Vai de vagar com tuas acusações. Leia o texto que, escrevemos com atenção pois quem reconhece que tem telhado de vidro sabe que essas violações são feitas em nósso pais e principalmente pelas ditas forças de segurança e pelo judiciario que malsina pobres em favor de ladrões de carteirinha, começando no proprio meio. Fidel foi cria dos americanos e a revolução de Sierra Maestra, liderada por ele tambem. e isso para derrubar o regime da familia Batista (Fulgencio Batista na época), tambem colocado pelos americanos quando despojaram a ilha do dominio hispanico. Temos repetido esse fato em nóssos comentários pois são verídicos e deles nos recordamos. Fidel, por 2 anos permaneceu aliado aos EUA mas a intansigencia americana em impedir a soberania da Pérola do Caribe e de mante-la como prostibulo dos marinheiros, fuzileiros e turistas americanos, fez com que Fidel, ameaçado de nóva intervenção, recorresse a URSS, recordando que na época ou se estava de um lado ou de outro e não tinha meio termo. Os fuzilados de la foram os aliados dos americanos ao contrário dos daqui em que, a ditadura militar, imposta pelos americanos, trucidaram os que queriam a liberdade da pátria em que pese a eterna carona de uns poucos vemelhinhos de araque. A renuncia do Janio se deu em alto e bom tom, declarado por ele mesmo, por não o deixarem governar e tanto os de dentro como os de fóra, e segundo suas proprias declarações, nada de forças ocultas pois os conhecia muito bem. O Jango foi seu emissário no leste europeu e estava na China (a China na época era Taiwan pois os americanos nõa reconheciam a China continental e por consequencia, a ONU tambem não) continental buscando estabelecer relações diplomáticas e comerciais com esses paises poi nós só podiamos fazer negociaçoes com os EUA e eles é que reexportavam, quando queriam, nóssos produtos. O temor dos americanos em que o Brasil se transformasse em nóva Cuba, provocou o seu intervencionismo e o nósso regime militar totaritarista e cruento, com esquadra americana pronta a intervir e o Jango transformado em comunista e opositores em terroristas. Se o Jango resistisse (tinnhamos o 1º e 2º exercitos alinhados de um lado e o fortissimo 3º exercito do outro lado do Paranapanema) teriamos uma guerra civil sem precedentes e isso fez o “comunista” do Jango abandonar o governo. Certo que se o Brasil apelasse a URSS, toda a AL e Central iria atras e os Americanos iam ter os sovieticos debaixo do rabo como os mesmo ficaram com os chineses. A não ser que o Sr. seje do meio aristocratico do nósso pais, não tem porque se queimar com essas observações. Sem dúvida os americanos tem bombas e nós não temos porque eles forçaram o desmantelamento de ARAMAR e barraram a construção das mesmas e da tecnologgia de propulsão nuclear da marinha, bem como sabotaram Barreira do Inferno e nóssa tecnologia espacial. Nós temos os remanecentes desses traidores da pátria, embutidos nas resultantes da extrema direita dos Barões e Coroneis que estão no DEM, PSDB, extintos PFL todos decorrentes da antiga Arena e seu bionico MBB, atual PMDB, isso sem contar outros e a escolha de que Brasil nos queremos é nóssa, dos cidadãos brasileiros e não dos apatridas.
COMO PODE A SRA DILMA FALAR EM DIREITO S HUMANOS SE ESVRAVIZAM TODO POVO BRASILEIRO COM OS IMPOSTOS ,AS MAIS ALTAS TAXAS DO MUNDO O PREÇO DOS COMBUSTIVWIS ENFIM TUDO AQUI É PARA REIS DA ARABIA E PARA USARMOS TEMOS DE PAGAR MESMO SEM TERT O DINHEIRO NEM SER REI DA ARABIA ASSIM ESRIDICULO DO GPVERNO BRasileiro incita mais as nações poderosas a dominarenm sob qualquer forma
Há dez anos apodrecem e são torturados diariamente duas centenas de remanescentes mil prisioneiros que os americanos fizeram em todo o mundo, na busca por terroristas. Depois de muitos anos, alguns considerados inocentes foram libertados e puderam relator o horror que é Guantânomo. Mesmo Obama, não conseguiu fechar aquele cárcere de terrorismo oficializado. Mesmo cercada pelas tropas cubanas, essa mosmorra passará para a historia, suplantando a Bastilha, Alcazar, etc. Dilma falou como estadista. Mesmo despreparada (não passou pelos estudos do curso Rio Branco, onde nossos diplomatas são submetidos a lavagens cerebrais) ela soube manter sua dignidade e a do Brasil, falando o óbvio. Ninguém tem o direito de fazer acusações com telhados de vidro.NINGUÉM mesmo , até a Igreja. Se o Tribunal DE Haia fosse para valer, metade das forças armadas ocidentais (e orientais) estariam sentados nas cadeiras de réus. Os EUA tudo faz\em para desnortear o Brasil. Como a maior potência do mundo, têm que fazer isso mesmo e eliminar no nascedouro qualquer outra potência que venha a desafia-los. Foi assim com a Alemanha, Japão, Rússia, Argentina, e agora o Brasil, que tenta timidamente alçar seu curto vôo. Todos os nossos projetos de defesa foram desmontados (ARAMAR, Calha Norte, submarino atômico, etc) e muitos outros que ignoramos (vide os foguetes dos satélites) e assim comporta-se uma super-potência. E nós como devemos nos comportar se quisermos ser apenas uma potência? Apénas uma resposta. Nos fortalecermos, nos armarmos, e treinarmos nossos jovens, como a China faz e a Rússia sempre fez. Temos que ter um Ministério de Relações Exteriores dirigido por um HOMEM de peso, com visão mais profunda, na defesa de nossos interêsses vitais.Fora disso não há salvação.
Que tal ressucitarmos Hitler, Mussolinni (fantoche) Lenin, Stalin, Mao Tse Tung e pedirmos a eles o que o Brasil deve fazer ? Desculpem, mas tem hóras que não acredito mais em Darwing.
A presidente Falou bem, que adianta ser ríspida com os cubanos se nós os brasileiros termos teto de vidro. Os cubanos tem que aprender que ninguém vai lá montar um exercito, para intervir em cuba, a não ser os americanos, como eles não tem petróleo esta fora de cogitação, a não ser servi de capacho para americano fazer seu pais de cadeia para outros incidentes. Os brasileiros lutaram pela democracia as custas de vidas , alguém esta disposto a fazer isto? Cuba é um pais soberano não podemos trata lo individualmente, como província qualquer, tem muita coisa errada tem, mais é preciso respeito.Não vamos a pregoar a demagogia como claramente os americanos apregoam em todo o mundo .A presidente usou de cautela e foi muito bem, quem vai libertar os cubanos não somos nós , são eles mesmos, pois só eles sabem de seus problemas. O Brasil está ajudando de forma adequada, não como os americanos que colocou Brasileiros contra Brasileiros.
Um modesto contributo para elevar o nível dos debates.
“O imperialismo e o “anti-imperialismo” dos tolos
por James Petras
Um dos grandes paradoxos da história são os políticos imperialistas que apregoam estarem empenhados numa grande cruzada humanitária, um “missão civilizadora” histórica destinada a libertar nações e povos, enquanto praticam as mais bárbaras conquistas, guerras destrutivas e banhos de sangue em grande escala de povos conquistados de que há memória histórica.
Na moderna era capitalista, as ideologias dos dominadores imperiais variaram ao longo do tempo, desde os primitivos apelos ao “direito” à riqueza, poder, colónias e grandeza até as afirmações posteriores de uma “missão civilizadora”. Mais recentemente os dominadores imperiais têm propalado justificações muito diversas, adaptadas a contextos, adversários, circunstâncias e públicos específicos.
Este ensaio estará concentrado na análise dos argumentos ideológicos contemporâneos do império estado-unidense para legitimar guerras e sanções a fim de manter a dominação.
Contextualizando a ideologia imperial
A propaganda imperialista varia consoante seja dirigida contra um competidor pelo poder global, ou como uma justificação para a aplicação de sanções ou ainda a entrada em guerra aberta contra um adversário sócio-político local ou regional.
Em relação a competidores imperiais estabelecidos (Europa) ou em ascensão na economia mundial (China), a propaganda imperial dos EUA variou ao longo do tempo. Antigamente, no século XIX, Washington proclamou a “Doutrina Monroe”, denunciando esforços europeus para colonizar a América Latina, privilegiando os seus próprios desígnios imperiais naquela região. No século XX, quando os decisores imperiais dos EUA estavam a deslocar a Europa dos recursos primários baseados nas colónias no Médio Oriente e África, aproveitou-se de vários temas. Condenou “formas de dominação colonial” e promoveu transições “neo-coloniais” que acabaram com monopólios europeus e facilitaram a penetração corporativa de multinacionais estado-unidenses. Isto ficou claramente evidente durante e após a II Guerra Mundial, nos países petrolíferos do Médio Oriente.
Durante a década de 1950, quando os EUA assumiram o primado imperial e surgiu o nacionalismo anti-colonial, Washington forjou alianças com potências coloniais em declínio para combater um inimigo comum e incentivar poderes pós coloniais a combatê-lo. Mesmo com a recuperação económica pós II Guerra Mundial, com o crescimento e unificação da Europa, ela ainda actuou em tandem e sob a liderança dos EUA na repressão militar de insurgências e regimes nacionalistas. Quando se verificavam conflitos e competição entre os EUA e regimes, bancos e empresas europeias, os mass media de cada região publicavam “descobertas de investigação” revelando as fraudes e malfeitorias dos seus competidores – e as agências reguladoras dos EUA impunham multas pesadas sobre os seus colegas europeus, passando por alto práticas semelhantes das firmas financeiras da Wall Street.
Em tempos recentes a maré ascendente do imperialismo militarista e das guerras coloniais alimentadas por procuradores israelenses no estado dos EUA levaram a algumas sérias divergências entre o imperialismo estado-unidense e o europeu. Com a excepção da Inglaterra, a Europa assumiu um mínimo compromisso simbólico com as guerras dos EUA e a ocupação do Iraque e Afeganistão. A Alemanha e a França concentraram-se em expandir seus mercados de exportação e suas capacidades económicas, deslocando os EUA em grandes mercados e locais com recursos. A convergência dos EUA e de impérios europeus levou à integração de instituições financeiras e às subsequentes crises e colapso comuns mas sem qualquer política coordenada de recuperação. Ideólogos dos EUA propagaram a ideia de uma “União Europeia em declínio e decadência”, ao passo que ideólogos europeus enfatizaram os fracassos dos “mercados livres” anglo-americanos e as fraudes da Wall Street.
Ideologia imperial, potências económicas em ascensão e desafios nacionalistas
Há uma longa história de “anti-imperialismo” imperialista, condenações, revelações e indignações morais patrocinadas oficialmente dirigidas exclusivamente contra rivais imperialistas, potências emergentes ou simplesmente competidoras, as quais em alguns casos estão simplesmente a seguir as pegadas das potências imperiais estabelecidas.
No seu auge, os imperialistas ingleses justificavam sua pilhagem à escala mundial de três continentes perpetuando a “Lenda negra” da “crueldade excepcional” do império espanhol para com povos indígenas da América Latina, enquanto empenhava-se no maior e mais lucrativo tráfico africano de escravos. Enquanto os colonialistas espanhóis escravizavam os povos indígenas, os colonizadores anglo-americanos exterminavam-nos…
Na preparação para a II Guerra Mundial, as potências imperiais europeias e dos EUA, enquanto exploravam colónias asiáticas condenavam a invasão e colonização da China pela potência imperial japonesa. O Japão, por sua vez, afirmava estar a liderar forças da Ásia no combate contra o imperialismo ocidental e projectava uma esfera de “co-prosperidade” pós colonial de parceiros asiáticos em pé de igualdade.
A utilização imperialista da retórica moral “anti-imperialista” foi concebida para enfraquecer rivais e era destinada a diversos públicos. De facto, em momento algum a retórica anti-imperialista serviu para “libertar” qualquer dos povos colonizados. Em quase todos os casos a potência imperial vitoriosa apenas substituía uma forma de domínio colonial ou neo-colonial por outra.
O “anti-imperialismo” dos imperialistas é destinado aos movimentos nacionalistas dos países colonizados e ao seu público interno. Imperialistas britânicos fomentaram levantamentos entre as elites agro-mineiras na América Latina prometendo “comércio livre” contra o domínio mercantilista espanhol; eles apoiaram a “auto-determinação” dos proprietários escravocratas de plantações de algodão nos Sul dos EUA contra a União; eles apoiaram as reivindicações territoriais dos líderes tribais iroqueses contra os revolucionários anti-coloniais estado-unidenses … explorando agravos legítimos para fins imperiais. Durante a II Guerra Mundial, os imperialistas japoneses apoiaram um sector movimento nacionalista anti-colonial na Índia contra o Império britâncio. Os EUA condenaram o domínio colonial espanhol em Cuba e nas Filipinas e foram à guerra para “libertar” os povos oprimidos da tirania … e ali permaneceram para impor um reino de terror, exploração e domínio colonial…
As potências coloniais procuram dividir os movimentos anti-coloniais e criar futuros “dominadores clientes” quando e se tiverem êxito. A utilização da retórica anti-imperialista foi concebida para atrair dois conjuntos de grupos. Um grupo conservador com interesses políticos e económicos comuns com a potência imperial, os quais partilhavam a sua hostilidade para com nacionalistas revolucionários e que procuram acumular maior vantagem ligando as suas fortunas a uma potência imperial e ascensão. Um sector radical do movimento aliava-se tacticamente com a potência imperial e ascensão, com a ideia de utilizá-la para assegurar recursos (armas, propaganda, veículos e ajuda financeira) e, uma vez assegurado o poder, descartá-lo. Na maioria dos casos, neste jogo de manipulação mútua entre império e nacionalistas, os primeiros venceram … tanto antes como hoje.
A retórica imperialista “anti-imperialista” era igualmente destinada ao público interno, especialmente em países como os EUA que valorizavam sua herança anti-colonial do século XVIII. O objectivo era ampliar a base da construção do império para além dos empedernidos lealistas, militaristas e beneficiários corporativos do império. O seu apelo procura incluir liberais, pessoas humanitárias, intelectuais progressistas, moralistas religiosos e laicos e outros “formadores de opinião” que tivessem uma certa influência entre o público mais amplo, as pessoas que teriam de pagar com as suas vidas e dinheiro para impostos pelas guerras inter-imperialistas e coloniais.
Os porta-vozes oficiais do império publicitam atrocidades reais e falsificadas dos seus rivais imperiais e destacam os infortúnios das vítimas colonizadas. A elite corporativa e os militaristas empedernidos pedem acção militar para proteger a propriedade, ou tomar recursos estratégicos; as pessoas com sentimentos humanitários e progressistas denunciam os “crimes contra a humanidade” e reflectem os apelos “a fazer algo concreto” para salvar as vítimas do genocídio. Sectores da esquerda juntam-se ao coro, descobrindo um sector de vítimas que se ajusta à sua ideologia abstracta e pedem às potências imperiais para “armarem o povo para que se liberte” (sic). Ao conceder apoio moral e um verniz de respeitabilidade à guerra imperial, com a deglutição da “guerra para salvar vítimas” os progressistas tornam-se o protótipo do “anti-imperialismo dos tolos”. Tendo assegurado vasto apoio público na base do “anti-imperialismo”, as potências imperialistas sentem-se livres para sacrificar vidas de cidadãos e o tesouro público, para prosseguir a guerra, alimentada pelo fervor moral de uma causa justiceira. Quando a carnificina se arrasta e as baixas crescem, e o público aborrece-se com a guerra e o seu custo, o entusiasmo de progressistas e esquerdistas transforma-se em silêncio ou pior, hipocrisia moral com afirmações de que “a natureza da guerra mudou” ou “que isto não é a espécie de guerra que tínhamos em mente…”. Como se os feitores da guerra alguma vez pretendessem consultar os progressistas e a esquerda sobre como e porque deveriam empenhar-se em guerras imperiais!
No período contemporâneo as guerras imperiais “anti-imperialistas” e a agressão foram grandemente ajudadas pela cumplicidade de “bases” bem financiadas chamadas “organizações não governamentais” as quais actuam na mobilização de movimentos populares que podem “convidar” à agressão imperial.
Ao longo das últimas quatro década o imperialismo estado-unidense fomentou pelo menos duas dúzias de movimentos “de base” que destruíram governos democráticos ou dizimaram estados previdência colectivistas ou provocaram grandes danos às economias de países alvos.
No Chile, durante os anos 1972-73 sob o governo eleito democraticamente de Salvador Allende, a CIA financiou a proporcionou apoio importante – via AFL-CIO – a proprietários privados de camiões para paralisar o fluxo de bens e serviços. Também financiaram uma greve de um sector do sindicato de trabalhadores do cobre (na mina El Teniente) a fim de reduzir a produção de cobre e as exportações, na preparação para o golpe. Depois de os militares tomarem o poder vários responsáveis do sindicato democrata-cristão “da base” participaram no expurgo de activistas de esquerda eleitos do sindicato. Não é preciso dizer que imediatamente os proprietários de camiões e trabalhadores do cobre acabaram a greve, abandonaram suas exigências e a seguir perderam todos os direitos de negociação!
Na década de 1980 a CIA, através de canais do Vaticano, transferiu milhões de dólares para apoiar o “Sindicato Solidariedade” na Polónia, transformando num herói o líder dos trabalhadores dos estaleiros de Gdansk, Lech Walesa, o qual actuou como ponta de lança na greve geral para deitar abaixo o regime. Com o seu derrube também foram derrubadas a garantia de emprego, a segurança social e a militância sindical: os regimes neoliberais reduziram a força de trabalho em Gdansk em cinquenta por cento e finalmente encerraram o estaleiro, dando um pontapé em toda a força de trabalho… Walesa aposentou-se com uma magnífica pensão presidencial, enquanto os seus antigos colegas de trabalho vagueavam nas ruas e os novos dominadores “independentes” da Polónia proporcionavam bases militares para a NATO e mercenários para guerras imperiais no Afeganistão e no Iraque.
Em 2002 a Casa Branca, a CIA, a AFL-CIO e ONGs, apoiadas por militares, homens de negócios e burocratas sindicais venezuelanos dirigiram um golpe “das bases” que derrubou o presidente Chavez democraticamente eleito. Em 48 horas uma mobilização autêntica com um milhão de pessoas dos pobres urbanos apoiados por foram militares constitucionalistas derrotou os ditadores apoiados pelos EUA e repôs Chavez no poder. Subsequentemente, executivos do petróleo dirigiram um lockout apoiado por várias ONGs financiadas pelos EUA. Eles foram derrotados pela tomada da indústria do petróleo pelos trabalhadores. O golpe fracassado e o lockout custaram à economia venezuelana milhares de milhões de dólares em rendimento perdido e provocaram um declínio de dois algarismos no PNB.
O ensaio acima colacionado foi extraído do Sítio português – Resistir.info que publica sempre artigos inéditos da esquerda bem informada.Vale a pena conferir.