De Olho no Rio tirou dúvidas sobre a nova gripe
10/8/2009 7:16, Redação

Marcelo Itagiba entrevistou o
pneumologista Barros Franco
O pneumologista Carlos Alberto de Barros Franco, professor titular de Pneumologia da Escola
Médica da PUC e membro titular da Academia Brasileira de Medicina, foi o convidado na
estreia do programa De Olho no Rio, da CNT (canal 9), neste domingo.
Mediado pelo pelo delegado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública do Rio e deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), o programa, que vai ao ar aos domingos às 12h15, debateu a pandemia de gripe suína, forma de prevenção e combate à doença.
Barros Franco esclareceu sobre as formas de contágio e os riscos da gripe suína. Ele acredita que há mais casos de pacientes com a doença do que os notificados e explicou que nas cidades, como o Rio de Janeiro, onde é grande o número de favelas e comunidades carentes, a doença se espalha mais.
– Nas favelas, as famílias convivem mais de perto, com um número grande pessoas, da avó ao
bisneto. A probabilidade é grande de contágio.
O especialista explicou que, assim como a gripe comum, o vírus H1N1 entra em contato com nosso organismo por meio das vias respiratórias e segue para um processo de multiplicação. A nova gripe é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1.
Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, irritação dos olhos,
fluxo nasal e , em alguns casos, vômito e diarreia.
Ele explicou que, de uma maneira geral, a transmissão ocorre quando indivíduos infectados emitem pequenas gotas de aerossol ao espirrar, falar ou tossir. Segundo ele, a nova gripe é altamente contagiosa.
– Este vírus se transmite pelo aerosol, que é o que a gente espirra, é o que a gente tosse, e este aerosol são partículas muito pequenas que ficam em suspensão em até uma distância de metros. A transmissão se dá muito mais pelo contato manual até, do que pela inalação, se alguém está resfriado e encosta a mão em algum lugar, o vírus vai ficar lá por cerca de 10 horas –, disse.
Quem colocar a mão em um lugar contaminado vai passar a carregar milhões de partículas do vírus e aí o contágio acontece de forma simples: basta levar a mão à boca, ao nariz ou ao olho para adquirir a doença. Por isso, ele sugeriu que sejam evitados os beijos de
cumprimento e apertos de mão, tão comuns no Brasil.
Ele deu dicas de como evitar a contaminação pela nova gripe, como lavar as mãos constantemente, proteger a boca e o nariz ao espirrar ou tossir e nunca compartilhar utensílios.
Segundo ele, as mãos deve ser lavadas quantas vezes forem necessárias, sempre que chegar ou sair de algum ambiente ou após contato com outras pessoas.Barros Franco sugeriu ainda que os ambientes estejam sempre arejados. E disse que é importante o uso do álcool gel.
Para Barros Franco, O uso de máscaras é indicado apenas entre aqueles com suspeita da doença e para os agentes de saúde.Crianças pequenas, de até dois anos, idosos, mulheres grávidas, pessoas debilitadas com outras doenças, pricipalmente cardiovasculares e pulmonares, ou imunossuprimidos são o grupo de maior risco.
Estes são os que mais sofrem as complicações da gripe.O especialista explicou que as mulheres grávidas passam por mudanças importantes nos sistemas de respiração e de defesa do organismo. Por isso ficam mais vulneráveis a certos vírus.
A imunidade das grávidas diminui para permitir que o bebê se desenvolva sem ser combatido
como um possível corpo estranho. Outro fator é que o útero aumenta e comprime o pulmão, que fica mais sujeito a infecções. Segundo Barros Franco, não há forma de prevenção, mas recomendou uma boa alimentação e hidratação.
A expectativa é que, entre outubro e novembro, haja vacinas para serem usadas nos países do hemisfério norte, porque lá vai estar começando o inverno. O governo brasileiro está em contato com todos os laboratórios que estão trabalhando para ter uma vacina.
De acordo com ele, a utilização do medicamento fosfato de oseltamivir é indicada a pacientes com agravamento do estado de saúde nas primeiras 48 horas, desde o início dos sintomas, e as pessoas com maior risco de apresentar quadro clínico grave. Barros Franco recomendou que as pessoas evitem a automedicação.
Ele disse que o Ministério da Saúde está fazedo esforço para melhorar o atendimento aos pacientes, mas acredita que a medicina suplementar, como os planos de saúde, deveria ser mais utilizada.
– O Ministério da Saúde assumiu a pandemia, quando poderia ter tido o auxílio dos planos de saúde no diagnóstico e tratamento.
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