De novo a Argentina sai na nossa frente

Maria do Rosário Na questão dos direitos humanos e da completa revisão do processo de implantação, vigência e pós ditadura militar, temos de reconhecer que a Argentina mais uma vez sai na nossa frente e merece todo aplauso e respeito.

Ela acaba de instituir um feriado nacional para lembrar o dia de instalação da ditadura militar de 1976 – para que nunca mais se repita entre eles – e de deflagrar um movimento para levar ao banco dos réus também os civis que articularam, colaboraram e atuaram para com aquele nefasto regime.

E olha que os argentinos estavam adiante nesse processo, na medida em que já levaram aos tribunais e a julgamento, um de seus ex-ministros civis da ditadura, o da Fazenda, José Martinez de Hoz. Eu sei que não tenho como nos comparar à Argentina, porque nesse processo, em relação a eles estamos ainda engatinhando.

Toda força à ministra Maria do Rosário

Embora a ditadura aqui já tenha acabado há 26 anos (1985), não conseguimos, ainda, investigar os crimes cometidos pelos expoentes, agentes e colaboradores daquele período sejam militares, sejam civis, nem abrir os arquivos da repressão, tampouco punir quem quer que seja, criar uma Comissão da Verdade e Justiça  e sequer rever a Lei de Anistia que, entre nós, foi decretada e mantém-se até hoje como recíproca – para vítimas, assassinos, criminosos e torturadores.

Mas, não custa, pelo contrário, e até um dever cobrar: quando o Congresso Nacional vai votar a Comissão da Verdade e Justiça? Por que não acelera o processo e a aprova ainda no 1º semestre deste ano já que o projeto já se encontra pronto no Parlamento? O que estão esperando?

Parabéns e toda força à ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos HUmanos da Presidência da República pela postura, ainda que discreta, mas firme e presente em todas as iniciativas desse área, em particular na luta pela aprovação da Comissão da Verdade.

Ainda esta semana, a ministra esteve em São Paulo, para em companhia de familiares de vítimas, acompanhar escavações em valas no cemitério de Vila Formosa, onde já foram encontrados, e se acredita que há mais, restos mortais de desaparecidos políticos.

 

Foto: José Cruz/ ABr