Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Cunha estaria pronto para ‘dar com a língua nos dentes’, diz mídia

Cunha teria percebido a sabotagem do presidente de facto, Michel Temer, na manobra arquitetada durante a disputa à Presidência da Câmara

Domingo, 17 de Julho de 2016 às 13:11, por: CdB

Cunha teria percebido a sabotagem do presidente de facto, Michel Temer, na manobra arquitetada durante a disputa à Presidência da Câmara

 
Por Redação - de Brasília e São Paulo
  Antes incensado pela mídia conservadora, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), prestes a enfrentar a cassação do mandato, tornou-se, em poucas semanas, no alvo dos mesmos meios de comunicação que o credenciaram como algoz da presidenta Dilma Rousseff, na votação que marcou o início do golpe de Estado, em curso no país, há mais de dois meses. Cunha estaria com os dias contados até se ver diante do juiz Sergio Moro, titular da Vara Federal do Paraná.
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Os sorrisos que frequentavam as reuniões entre Temer e Cunha desapareceram
Reportagem publicada na edição deste domingo do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, sem uma chamada sequer na primeira página e espremida entre anúncio na página 7, com a assinatura dos jornalistas Marina Dias e Paulo Gama, reaquece a notícia de que Cunha estaria prestes a se render diante de uma possível delação premiada, conforme o Correio do Brasil já havia noticiado há mais de um mês. Cunha estaria se sentindo "traído" e "abandonado" pelo interino Michel Temer, dizem os jornalistas. Cunha teria percebido a sabotagem do presidente de facto, Michel Temer, na manobra arquitetada durante a disputa à Presidência da Câmara, que anulou Rogério Rosso (PSD-DF), candidato de Cunha, e favoreceu a vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Momentos após conhecer o resultado, Maia avisou aos pares que votará a cassação do antecessor, logo no início de agosto. Sem o foro privilegiado, ele e a mulher dele, Cláudia Cruz, e a filha Danielle Dytz, serão julgados no Paraná.

Cunha e Temer

O deputado peemedebista afastado havia buscado o apoio de Temer, e chegou a comparecer a uma reunião informal, na residência do vice-presidente. No Jaburu, em um domingo à noite, há três semanas, Cunha ainda alimentava a expectativa de que, fora do caminho na Câmara, as forças golpistas encasteladas no Congresso o ajudariam a eleger o deputado Rogério Rosso (PSD/DF), seguidor e aliado do então todo poderoso presidente da Casa. “Com ele, esperava percorrer um caminho mais favorável na análise do processo de cassação de seu mandato, que precisa ser votado em plenário. Após Maia vencer por 285 votos contra 170 de Rosso, Cunha reuniu aliados e mostrou insatisfação com Temer, que arbitrou para ter os dois nomes no segundo turno, mas mudou o humor em favor do candidato do DEM quando sua vitória parecia mais viável. Deputados do "centrão" acreditam, por exemplo, que o apoio do PR a Maia foi estimulado pelo Planalto. Procurado pela Folha, Cunha afirmou que não participou ‘de nenhuma articulação nem discussão sobre a eleição’ na Câmara”, dizem os repórteres. Maia foi eleito com apoio de PSDB, DEM, PPS e PSB, além de parte do PT e do PC do B, em um erro estratégico que, até agora, produz discussões acaloradas no campo das esquerdas.
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