Buarque critica livros didáticos que admitem ensino com erros de gramática 

16/5/2011 16:21,  Por Redação, com ACS/Senado - de Brasília

gramática

O senador Cristovam Buarque é um nome de referência na educação brasileira

Em discurso nesta segunda-feira, no Plenário, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) criticou livros didáticos autorizados pelo Ministério da Educação (MEC) que admitem o ensino da língua portuguesa com erros de gramática. Assim, de acordo com o senador, o Brasil vai criar duas línguas: o Português dos condomínios e dos shoppings e o Português das ruas e dos campos.

- Permitir a criação de dois idiomas é quebrar o que há de mais substancial na unidade de um povo – afirmou.

O senador criticou o argumento de que é preciso quebrar o preconceito contra aqueles que não falam bem a língua oficial e afirmou que o ideal é ensinar a todos o português correto. Para Cristovam Buarque, o povo e a elite precisam aprender a língua oficial e sem erros. O senador lembrou que nos concursos públicos e vestibulares não são aceitos os erros de gramática.

- Não se trata de sotaque, nem de vocabulário, mas de gramática. Permitir duas línguas é fortalecer o apartheid brasileiro – disse o senador.

Cristovam Buarque manifestou desaprovação com o que chamou de “criatividade brasileira em relação às políticas sociais”. Segundo o parlamentar, essa tendência vem de há muito tempo, como com a publicação da Lei do Ventre Livre no lugar da abolição completa da escravatura, ainda no século 19. Para o senador, o vale-transporte e o vale-refeição são necessários porque não há um salário digno, que seria a verdadeira conquista do trabalhador.

O parlamentar declarou ainda que não é contrário à Bolsa Família, mas o “ideal seria que o programa não fosse necessário”. Cristovam disse também que as políticas sociais “fazem de conta” que os problemas são resolvidos.

- Tudo isso é pra não enfrentar o problema no seu âmago e na estrutura da sociedade brasileira – apontou.

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20 Comentários para “Buarque critica livros didáticos que admitem ensino com erros de gramática ”

  1. claudio da silva

    estou de acordo com Cristovam Buarque

  2. Marcos Rodrigues

    Poucos, como o ministro Cristovam Buarque, têm coragem e coerência ao falar dos problemas brasileiros, em especial os da educação.

    O livro “preconceito linguístico ” de Marcos Bagno aborda o assunto de forma bastante crítica, e faz uma ressalva bastante clara de que a Língua Portuguesa não deve ser levada ao vale tudo. O autor diz que é preciso estudar os processos que levam às eventuais variações no falar e no escrever.

    Concordo com o ministro. Fazer de conta que vale tudo é eximir-se de levar o conhecimento da língua pátria a seu povo. E isso é absurdo!

    Claro que muitos estudiosos alegam a evolução da língua, que o povo é quem faz a língua, etc., o que é usado de forma capciosa para admitir dialetos para o povo e idioma padrão para a elite.

    Quando eu fazia a sétima série do ensino fundamental, li um livro que dava um exemplo da palavra espectulum falada pelos soldados romanos durante o império. Povos íberos tentavam falar essa palavra, mas só conseguiram falar espelho. O livro seguia dizendo que não deveríamos nos assustar com a forma espeio falada no campo, pois, um dia, espelho, que fora espectulum, poderia muito bem vir a ser espeio.

    Mas esses argumentos são distorcidos exatamente para o fim citado pelo senador: iludir o povo enquanto se lhe nega o que lhe é de direito.

  3. Viviane de Freitas

    Acho que isso é totalmente sem noção.
    Me diz como essas crianças e adolescentes vão conseguir um bom emprego ou entrar em uma faculdade falando tudo errado como vão realizar uma prova de vestibular ou algo assim?
    Um absurdo…

  4. Aparecido de Souza Lima

    Estou de acordo com o Sr. Cristovam, e acrescento que todos os produtos vendidos aos brasileiros, dentro do país, deveriam e devem estar em nossa língua mãe. A língua inglesa está imperando em nossa pátria, e isso é maléfico para o perfeito aprendizado de nossa língua, que constantemente vem sofrendo mutações com junções de palavras estrangeiras.

  5. JOSELITO F. COSTA

    Com certeza,é de ficar abismado com a quantidade de jovens que saem hoje das faculdades com os seus diplomas nas mãos, falando e escrevendo absurdamente errado o nosso idioma pátrio. Tal como: “vamos estar fazendo”; “eu se cuido”. São exemplos de alguns que pensam ser conhecedores do nosso idioma superficialmente, onde em uma pequena frase assassinam o GERÚNDIO e a concordância verbo-nominal e o SUJEITO é quem parece ter fugido da Escola.

  6. Roberto

    Sem dúvida.Quem aceitar essa divisão de níveis dentro do nosso idioma e gramática estará votando a favor da divisão de classes sociais também.

  7. targinosilva

    Eu trabalhei numa empresa onde os manuais de informática eram traduzidos do inglês para o português, do alemão para o português e
    fui o funcionário mais bem pago da empresa sem saber inglês. Saber inglês é uma coisa, saber informática é outra coisa. Eu escrevo muito na
    internet, muito coisa deixou para o leitor concluir, e percebo que ate o dono do blog, jornalista acostumado com a língua, as vezes não
    entende o que quero dizer. Isso eu fazia no blog do Gerald Thomas, ate que um dia ele percebeu que nas entrelinhas eu o alfinetava.
    Imagine uma pessoa com pouco conhecimento da língua. Pra essas pessoas nos teremos que dizer “nois vai, nois vem, nois vorta já”.
    Imagine que pensamos usando a língua; se usamos a língua de forma errada teremos dificuldade de formular linhas de raciocínio.
    Simplesmente, não concordo. Vamos entrar no dito popular de confundir banda de fuzileiro com bunda de funileiro.

  8. targinosilva

    Castro Alves – Navio negreiro.

    ‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço
    Brinca o luar — dourada borboleta;
    E as vagas após ele correm… cansam
    Como turba de infantes inquieta.

    ‘Stamos em pleno mar… Do firmamento
    Os astros saltam como espumas de ouro…
    O mar em troca acende as ardentias,
    — Constelações do líquido tesouro…

    ‘Stamos em pleno mar… Dois infinitos
    Ali se estreitam num abraço insano,
    Azuis, dourados, plácidos, sublimes…
    Qual dos dous é o céu? qual o oceano?…

    ‘Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
    Ao quente arfar das virações marinhas,
    Veleiro brigue corre à flor dos mares,
    Como roçam na vaga as andorinhas…

    Como é bela e magestosa essa lingua e esse cara.

  9. David

    Lamento que o MEC aprove um absurdo desses. Esta oficializando a sua incompetencia. Ao invéz de dar uma educação de qualidade para os brasileiros, pagando melhor os professores, incentiva a desigualdade. Qual a razão para isso?
    Parabens GRANDE SENADOR Cristovam Buarque

  10. irene

    Concordo totalmente.

  11. Luiz Olivier Cesar Scheffer

    Caro Senador
    O pior é que o Ministro aprova os livros… temos que levar o assunto para a “Presidenta” resolver.

  12. Marcus

    O grande Senador Buarque, que quando ministro da educação nada fez, deveria estudar melhor o desenvolvimento da lígua e concluir que língua não é algo estanque, mas sim extremamente dinâmica. E mesmo a NGB não incorporando as tais mudanças os autores e o povo vão aos poucos incorporando e transformando a língua, caso contrário estaríamos ainda dizendo Vossa Mercê e não você, e logo menos vamo tá falando vc!

    Saudações

    Parabéns ao MEC, ao menos isso que ele fez é positivo. Bora mudar transformar a educação desse país!!!

  13. Marcia Eloy

    Caro Senador
    Fui professora de alfabetização durante 16 anos, não concordo em que se deva ensinar errado, pelo simples motivo que o Brasil tem uma lingua oficial, e quando um aluno vai fazer um concurso, ele vai ser julgado pela lingua oficial e não pela lingua que ele fala no lugar em que vive. Estaríamos prejudicando os mais pobres, porque os mais ricos vão aprender a lingua oficial nas escolas que frequentam. Mas trabalhei em dois CIEPs e a orientação era o método de Paulo Freire que é mais ou menos similar a este príncípio defendido agora.. O que ele defendia? Que se buscasse utilizar a linguagem dos alunos e depois ir aperfeiçoando-a. Acho muito difícil este método. Num país que ainda tem analfabetos e existe a oportunidade que a lingua portuguesa oferece de separação das palavras em sílabas e formação de novas palavras com estas sílabas, por que não adotar um método de fácil assimilação e que sempre deu certo? E a mania do novo. Em 16 anos de magistério, vi a Secretaria de Educação do Rio, trocar várias vezes os métodos de alfabetização. Se a meta é a alfabetização, isto não é racional, nem lógico.

  14. Milton Quadros

    Criticar, é o que sabe. Quando teve chance, nada fez, preferiu a comodidade de ser pedra ao invés de vidraça. Uma decepção, o Senador Cristovão.

  15. Ulisses G. Sobrinho Neto

    Como copiei de um e-mail de um amigo hoje, nós temos todas as condições para o Brasil ser a maior potência econômica e social.
    Não temos as catástrofes naturais que existem, mesmo nos EUA e Japão.
    Precisaríamos acabar com a corrupção.
    Mas aqui se preocupa em falar inglês, mas o idioma pátrio que se dane.
    Nosso sistema, incentivado pelos EUA, que detém a máquina de imprimir dólares a custo zero, é todo formado favorecendo e estimulando a corrupção.
    Imagine-se tentando se candidatar e com um projeto de salvação nacional.
    Precisará de um partido grande, que tem um “dono” e vários deputados e senadores. Você teria de se submeter aos interesses deles, senão eles não vão aceitar. Terá de se submeter ao assédio de empreiteiras que irão investir em sua milionária campanha, com vistas à “ganhar” licitações. O partido vai querer fazer uma aliança com outros partidos, muitos mercenários.
    Vai precisar divulgar sua campanha e precisará se expor na mídia para que o Brasil conheça e aprove sua imagem..
    A mídia televisiva foi toda distribuída para caciques (coronéis) políticos. A Band criou uma retransmissora aqui e adivinhe de quem? do Quercia, veio a viúva dele inaugurar. Pelo jeito a família domina as grandes regiões metropolitanas. Aqui em Santos e litoral, mais vale do Ribeira, e nas regiões metropolitanas de Campinas e Sorocaba, a Rede TV é dominada pelo deputado do PP Mansur. A Globo no Nordeste é metade do Sarney e metade da família ACM.
    Vai ser vítima de calúnias e precisará apelar para o judiciário ou se defender por ele.
    Os juízes do STJ e STF (máximo do Poder Judiciário) são nomeados pelo presidente da República (máximo do Poder Executivo). Mas, os 3 Poderes não são independentes? O presidente Collor foi destituído, mas não sem antes dar o maior emprego vitalício para seu primo Marco Aurélio, como juiz do STF. Nota: Collor foi destituído, não pelos seus erros, mas por se recusar a continuar cedendo à chantagem dos congressistas.
    Eu penso que os votos deveriam ser individuais. Acabar com os fenômenos “Tiririca”, pessoas que têm muitas horas de voo na TV e atraem votos para eleger vários candidatos no atual sistema.
    Acabar com a figura do suplente de Senador e neste ponto funcionar como com os deputados, em que um se afasta e é substituído pelo deputado com mais votos da coligação (acho que deveria acabar também a coligação) e não pelo suplente que ele escolheu. EX: O José Serra quando sabia que o FHC ia ser eleito presidente e ele ministro, “escolheu” um ilustre desconhecido, mas bilionário, para ser seu suplente, ou seja, senador.
    A TV, que a princípio é concessão do governo federal, deveria ser obrigada a dar oportunidades iguais a todos os candidatos, indistintamente (não só entrevistar os “mais apontados em pesquisas”). Deveriam, os candidatos, ser impedidos de campanhas de centenas de milhões de reais. Todos deveriam ter recursos iguais e fiscalizados. Aumentar o tempo eleitoral e só permitir exposição por ele, com igual tempo. Não se permitir shows, propagandas sem conteúdo sério.
    O voto não pode ser obrigatório.
    Mas o mais difícil seria criar cidadania na cabeça do povo, por mais letrado que pareça.
    Abraço

  16. Aracelli

    Mas era só o que faltava! A oficialização da ignorância brasileira!

  17. Edílson Januário

    Os Brasis são vários dentro e fora das extratificações sociais, culturais e… políticas. A linguagem é estrutural no grupo e, de cima pra baixo, o legislador só vai conseguir ser burlado e cada vez com maioir facilidade. Esse dinamismo não pode ser meramente interpetrado como um apartheid. Facilita a vida do orador, mas expõe sua pouca disposição para lidar com o fato. Se a função é apenas formar opinião, a casa grande tem por obrigação entender a linguagem da senzala.

  18. Paulo Cesar Semblano da Costa

    Até que enfim um político corajoso para enfrentar a burrice de uma elite que se autointitula intelectual só porque cursou uma faculdade, que pelo visto não adiantou nada.

  19. Roberto

    Ulisses G.Sobrinho Neto:gostei do seu comentário.Boas citações!

  20. Sírio Possenti

    O que o senador ainda não percebeu (quando o fará?) é que já há duas línguas, ou até mais! Por onde ele anda?

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