Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Brasileiros vão às ruas pelo 'Fora Temer'

Centenas de pessoas em em todo o país ocupam, desde a manhã deste domingo, as ruas em atos em defesa da democracia e pelo Fora Temer. Os atos foram convocados pela Frente Povo Sem Medo, que reúne movimentos sociais e sindicais. Acompanhe os atos no Brasil e exterior.

Domingo, 31 de Julho de 2016 às 14:43, por: CdB

As manifestações têm como objetivo a destituição de Michel Temer, a defesa dos direitos sociais e o direito de o povo decidir os rumos do país

Por Redação, com Agências de Notícias - de Brasília:
Centenas de pessoas em em todo o país ocupam, desde a manhã deste domingo, as ruas em atos em defesa da democracia e pelo Fora Temer. Os atos foram convocados pela Frente Povo Sem Medo, que reúne movimentos sociais e sindicais. Acompanhe os atos no Brasil e exterior. A Frente Povo Sem Medo iniciou, nesta tarde, uma manifestação em defesa da presidenta afastada Dilma Rousseff, na capital paulista. Os manifestantes reuniram-se no Largo da Batata, zona oeste da cidade. Por volta das 16h15, eles saíram em caminhada, na direção da Praça Panamericana, local próximo à casa do presidente interino Michel Temer, no bairro Alto de Pinheiros.
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Manifestações no país e fora do Brasil pediam a permanência de Dilam Rousseff e o fim do golpe
O tema do ato é “Fora Temer! O povo deve decidir! Defender nossos direitos, radicalizar a democracia!”. Segundo a Frente Povo Sem Medo, que considera o impeachment de Dilma um golpe, “não precisou nem dois meses para que as máscaras caíssem e as razões do golpe fossem expostas em praça pública”, citando a queda de três ministros de Temer em um mês. Representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que integra a Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos explicou que o ato tem três frentes: a destituição do presidente de facto, a defesa dos direitos sociais e o direito de o povo decidir os rumos do país. - A primeira é o Fora Temer, porque nós consideramos que esse governo é ilegítimo. [A segunda frente] é também em defesa dos nossos direitos que estão ameaçados com o programa do golpe, programa de regressão social no país, reforma da Previdência, reforma trabalhista, desmonte dos programas sociais, desmonte do SUS [Sistema Único de Saúde]. [A terceira] é que povo deve decidir. Um dos pontos desse ato é que o Congresso não tem autoridade, não tem credibilidade para definir os rumos do país, para definir a saída política para essa crise, então entendemos que o povo deve ser chamado a decidir - declarou Boulos. Sobre um eventual plebiscito, Boulos disse que essa seria uma alternativa, não apenas para a questão do impeachment, mas para impulsionar a reforma política. De acordo com integrantes da Frente Povo Sem Medo, uma profunda reforma política é necessária porque o sistema político brasileiro faliu e perdeu qualquer vínculo de representação efetiva com a maior parte da sociedade. Os movimentos defendem o que chamam de radicalização da democracia, por meio do enfrentamento do poder econômico nas eleições e na construção de mecanismos de maior participação popular na política. Os ativistas reivindicam ainda uma reforma tributária, com taxação de grandes fortunas, no lugar da reforma da Previdência; e as reformas urbana e agrária, em vez da reforma trabalhista. Para eles, essas medidas vão contemplar a maioria do povo brasileiro. Manifestantes tomaram ruas do centro de Belo Horizonte, em Minas Gerais, pela volta da presidenta eleita Dilma Rousseff. Em Belém, no Pará, manifestantes enfrentaram a intransigência da polícia militar que tentou impedir que o carro som do ato se colocasse na esquina da Democracia (Presidente Vargas com Rua da Paz), tradicional ponto de atos dos movimentos sociais da cidade. Ativistas realizaram panfletagem na feira livre do bairro Luizote de Freitas, em Uberlândia, Minas Gerais, para conversar com a população mostrando os retrocessos da gestão golpista de Michel Temer. Manifestantes já se concentram na Praça Tubal Vilela, no centro da cidade e tradicional ponto de manifestações. Jovens, mulheres, aposentados e trabalhadores ocuparam a praça e não se intimidaram com a ação da PM. A manifestação repeliu o golpismo e o governo provisório de Temer e sua política de retrocesso. A manifestação em Belém também foi marcada por uma homenagem ao Wilson Ferreira, dirigente da CTB Pará e do Sindicato e Federação das Domésticas, falecido na madrugada deste domingo.

Suplicy e Erundina nas manifestações

Os deputados federais Luiza Erundina e Ivan Valente, do PSOL-SP, compareceram ao ato. - Eu lutei como muitos que aqui estão contra a ditadura militar. Fomos expulsas do Nordeste porque defendíamos a reforma agrária e a democracia - discursou Erundina do alto do carro de som. Ela chamou a população a ir às ruas defender a democracia e pedir a saída de Temer. Também presente ao ato, o ex-senador Eduardo Suplicy defendeu a presidenta afastada Dilma Rousseff, dizendo que ela não cometeu crime de responsabilidade. Ele acrescentou que, se estivesse no Senado atualmente, votaria contra o impeachment e aconselhou os atuais senadores a votar contra o afastamento definitivo da presidenta. Segundo Boulos, 40 mil pessoas participavam do ato às 16h15. No ato, havia bandeiras de diversas entidades, como Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, União da Juventude Socialista, Central Única dos Trabalhadores, União Nacional dos Estudantes, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Em todo o país, movimentos favoráveis e contrários ao impeachment de Dilma Rousseff promoveram manifestações neste domingo.

Atos pró-impeachment

Cerca de 5 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar, compareceram à Esplanada dos Ministérios em um ato a favor do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. Eles também expressaram apoio à operação Lava Jato, pediram o fim do foro privilegiado e protestaram contra a corrupção. Inicialmente, a PM tinha estimado em 3 mil o número de participantes, mas informou que até o fim do protesto, previsto para as 14h, o número chegaria a 5 mil. A estimativa é bem menor que a dos organizadores do protesto: Vem pra Rua, Nas ruas e Movimento Limpa Brasil, que chegaram a falar em 10 mil participantes. Os manifestantes concentraram-se ao lado do Museu da República e, de lá, seguiram para a frente do Congresso Nacional. - Viemos reforçar que a nossa luta não parou - disse Ricardo Noronha, um dos integrantes do Movimento Limpa Brasil. Os organizadores disseram acreditar que o número de pessoas nos protestos vai aumentar quando começar o julgamento final do impeachment. - Queremos a saída definitiva de Dilma. Os crimes de responsabilidade dela foram comprovados na Comissão do Impeachment e no TCU [Tribunal da Contas da União] - afirmou Jailton Almeida, um dos coordenadores do Vem pra Rua.
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