Por Rui Martins - Brasileiro casado com embaixador suíço é alvo de inquérito por Homossexualismo na Nigéria, embora o direito internacional lhe garanta imunidade diplomática.
Por Rui Martins, de Genebra: O embaixador suíço vítima de homofobia na Nigéria por ser casado com um brasileiro
O brasileiro, conhecido como Carlos, e seu companheiro ou esposo, o embaixador suíço na Nigéria, são alvo de um inquérito, ao qual se poderá seguir um processo por homossexualismo. A Nigéria é um país homofóbico, onde os homossexuais são condenado a duras penas e, na paarte muçulmana do país, onde se pratica a lei sharia, do Corão, podem mesmo ser condenados à morte.
A situação foi noticiada na Nigéria pelo jornal local Daily Trust e retomada pelos jornais suíços. Eric Mayoraz, o embaixador, considerou o fato "lamentável », ao ser entrevistado por telefone pelo jornal 20 Minutes, de Genebra. Eric Mayoraz tinha sido embaixador suíço em Madagáscar, onde não encontrou nenhum problema, mesmo porque os embaixadores, familiares e membros de embaixada têm direito à imunidade diplomática.
O Ministério nigeriano das Relações Exteriores confirmou a abertura de um inquérito sobre as circunstâncias em que o casal diplomático homossexual chegou ao país, onde não se tolera o homossexualismo. Essa mesma autoridade nigeriana ameaça aplicar a lei, mesmo sabendo ser a Suíça um dos seus principais parceiros comerciais.
O embaixador suíço, ao receber as credenciais na Nigéria, teria declarado seu companheiro como parte do pessoal, no cargo de intendência. A questão só foi levantada quando tentou incluir o brasileiro Carlos entre os esposos e esposas da comunidade diplomática. A situação é surpreendente, reclama Advogados sem Fronteiras, pois pela primeira um país ousa abrir inquérito contra um diplomata, baseando-se na sua vida pessoal, protegida por imunidade.
Não se tem precedente de atitude homofóbica de autoridades de um país contra diplomatas, mas ela pode ocorrer previamente. Assim, o presidente francês François Hollande, no ano passado, viu rejeitada pelo Vaticano a indicação de um embaixador francês gay. Segundo a imprensa suíça, o departamento suíço das relações exteriores deveria protestar energicamente e forçar a Nigéria a aceitar o respeito aos direitos humanos dos homossexuais. Ao mesmo tempo, antes de nomear o embaixador poderia ter usado mais de tato diplomático para evitar a atual crise.
Paralelemente, funcionários da Air France, membros da tripulação nos aviões, se negam a participar dos voos para o Irã, país onde é também punido o homossexualismo. Não por receio de serem presos no Irã, mas como um protesto. Air France argumenta não ser o Irã o único país homofóbico, havendo uma longa lista de países, geralmente muçulmanos, onde se pune o homossexualismo como é o caso da Nigéria.
Rui Martins,correspondente em Genebra.
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