Brasil voltará a ter embaixadores em Honduras e Iraque 

12/8/2011 1:18,  Por Agencia Senado

O Brasil voltará a ter embaixadores em Honduras e no Iraque. A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou, nesta quinta-feira (11), pareceres favoráveis às indicações dos ministros de segunda classe Zenik Krawctshuk e Ánuar Nahes, para representar o país, respectivamente, em Tegucigalpa e Bagdá. As duas mensagens presidenciais serão ainda submetidas ao Plenário.

Krawctsuk já se encontra em Honduras, onde até o momento trabalha como encarregado de negócios na embaixada brasileira. Uma vez confirmado pelo Plenário, ele assumirá o posto de embaixador dois anos depois do golpe de Estado que derrubou o então presidente Manuel Zelaya em 28 de junho de 2009.

Depois do golpe, Zelaya passou três meses viajando pelo continente em busca de apoio e voltou clandestinamente a Honduras, onde se refugiou na embaixada brasileira durante quatro meses. De lá, saiu para passar dois anos de exílio e voltou ao país em maio deste ano.

Após o retorno de Zelaya e a readmissão de Honduras na Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1º de junho, o Brasil promoveu a normalização de suas relações diplomáticas com aquele país, segundo relato de Krawctsuk. Ele elogiou a atuação do presidente Porfirio Lobo, eleito cinco meses depois do golpe.

- Lobo fez grandes esforços para reconciliar o país, dividido por conta do golpe – afirmou o embaixador indicado.

Em julho deste ano, como informou o diplomata aos senadores, a Comissão de Verdade e Reconciliação criada em Honduras concluiu um relatório de 1.400 páginas sobre o golpe. Suas principais conclusões são as de que houve, de fato, um golpe; que o governo do então presidente de facto Roberto Micheletti, que tomou posse após o golpe, foi ilegítimo; e que as eleições que levaram Lobo à presidência foram legítimas.

Segundo Krawctsuk, cuja indicação teve como relator o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), Honduras espera “gestos positivos de aproximação” do Brasil. Ele informou que já está em andamento o programa Estudante Convênio, que permite a matrícula de estudantes hondurenhos em universidades brasileiras.Disse ainda que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acaba de aprovar financiamento para a construção de duas hidrelétricas em Honduras.

Iraque

Oito anos depois da invasão do Iraque por tropas dos Estados Unidos, já existem em Bagdá 52 embaixadas, segundo informou à comissão o diplomata indicado para o cargo de embaixador no Iraque. Dessas 52, observou, 26 estão “funcionais e atuantes” no momento em que aquele país começa a voltar à normalidade política e econômica. Em sua opinião, a embaixada brasileira tem de acompanhar as 26 que já estão em funcionamento.

- Quando a situação de segurança melhorar, o potencial é enorme. Há toda uma relação para se reconstruir – disse Nahes, cuja indicação teve como relator o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

A embaixada brasileira em Bagdá, como recordou, foi aberta em 1972. E o Iraque já chegou a fornecer 40% do petróleo consumido no Brasil. Como lembrou ainda o diplomata, grandes empresas construtoras brasileiras tiveram no Iraque a sua “primeira grande experiência” fora do Brasil.

Durante a reunião, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) ressaltou que as indicações dos embaixadores marcavam um momento de reaproximação do Brasil com Honduras e Iraque. Ele recordou ter vivido dois anos em Honduras e observou que o Brasil não poderia “ficar mais tempo sem relações diplomáticas” com aquele país.

Por sua vez, Suplicy informou que a aprovação do nome de Nahes ocorria ao mesmo tempo em que se anunciava a contratação do ex-jogador brasileiro Zico para o cargo de treinador da seleção de futebol do Iraque. Ele informou ainda que a Volkswagen enviará quatro modelos de automóveis a uma feira a ser realizada em Bagdá, para tentar repetir o sucesso obtido nos anos 70 com a exportação de carros Passat fabricados no Brasil.

Para ver a íntegra do que foi discutido na comissão, clique aqui.

Marcos Magalhães / Agência Senado


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