Brasil se decepciona com extensão do embargo norte-americano a Cuba

14/9/2009 16:35,  Redação, com agências internacionais

Assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia confessou a sua decepção com a assinatura, nesta segunda-feira, da prorrogação por mais um ano do embargo imposto pelos EUA à Cuba. Principal articulador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os governos vizinhos, Garcia criticou a extensão do embargo vigora desde 1963.

– É um gesto muito negativo em relação ao sentimento da América Latina. Toda a expectativa de mudança que se tinha em relação à política externa do governo Obama foi frustrada. O que posso dizer é que nos causou uma decepção – comentou Garcia.

Para o assessor presidencial, “o governo Obama perdeu uma excelente oportunidade de mostrar que haveria mudanças com a sua eleição”.

– Isso não ajuda na relação dos Estados Unidos com a América Latina e com o processo de mudança que está em curso em Cuba – observou.

Lula, no entanto, não deverá comentar o assunto com o colega norte-americano, segundo Garcia.

– O presidente Obama já sabia da nossa posição, explicitada em Trinidad e Tobago (durante a reunião da Cúpula das Américas, em abril). Não há necessidade de o presidente Lula voltar a falar com ele sobre esse assunto – comentou.

Conservadores

O presidente norte-americano, Barack Obama, assinou uma ordem nesta segunda-feira que estende a lei usada para impor o embargo comercial dos EUA a Cuba, apesar dos pedidos de opositores para que Obama seguisse o abrandamento das sanções à ilha comunista com o objetivo de colocar fim ao embargo.

“O presidente determinou que é de interesse nacional dos EUA em continuar por mais um ano o exercício de certos poderes sob o Ato de Comércio com o Inimigo em respeito a Cuba” informou a Casa Branca, em comunicado divulgado à tarde.

Obama seguiu na direção oposta ao anúncio, em abril, de que iria aliviar restrições comerciais, impostas a Cuba há quase meio século após a revolução comunista liderada por Fidel Castro e Che Guevara. Analistas políticos ouvidos por jornalistas, nos EUA, lembraram que, no início deste mês, Washington aliviou as sanções, mas segmentos mais conservadores dos EUA passaram a usar a distenção como moeda de troca no Congresso, onde Obama enfrenta duas fortes oposições, seja quanto à reforma no setor da Saúde, seja na imposição de regras mais duras no controle do mercado financeiro.

Entre as mudanças realizadas, o Departamento do Tesouro disse que autorizaria o envio ilimitado de remessas por norte-americanos com parentes em Cuba e a visita de norte-americanos à ilha quantas vezes e quando quiserem. O grupo de direitos Anistia Internacional pediu a Obama que não assinasse a extensão, alegando que o embargo interfere nos direitos humanos de cubanos. Presidentes norte-americanos têm assinado extensões anuais da lei desde 1970.

Nenhuma matéria relacionada.





Compartilhe esta matéria:


Os comentários às matérias e artigos aqui publicados não são de responsabilidade do Correio do Brasil nem refletem a opinião do jornal.

Os comentários estão desabilitados!

Edição Impressa


Edição de Ontem