Bolsas afundam

A crise do euro e estagnação da economia dos EUA afundaram as bolsas europeias e norte-americana, nesta quinta feira. Os juros das dívidas soberanas na Europa, nomeadamente de Itália e Espanha continuaram a subir. O BCE decidiu voltar a comprar dívida, o que não fazia desde Março passado.Artigo |5 Agosto, 2011 – 02:49Bolsa de Nova Iorque, 4 de Agosto de 2011 – Foto de Justin Lane/Epa/Lusa

O índice Dow Jones da Wall Street caiu mais de 4,3%, os índices das bolsas europeias caíram mais de 3% e a bolsa de Milão encerrou mais cedo quando caia mais de 5%. As baixas nas bolsas começaram na Europa e alastraram depois a Wall Street, onde a queda se aprofundou.

Na base das quedas está a crise da dívida na Europa, que está a atingir agora duramente a Itália e a Espanha, com subida constantes e significativas nos juros das suas dívidas. A taxa de juros dos títulos da dívida espanhola a 10 anos subiu para 6,2% e a da italiana para 6,1%.

Nesta quinta feira, Durão Barroso tornou público que enviara na véspera uma carta aos líderes europeu pedindo uma resposta rápida para evitar o contágio da crise da dívida à Espanha e à Itália e salientando que era necessário fazer “uma rápida reavaliação dos elementos” relativos ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e um aumento da capacidade do Fundo para assegurar essa resposta. Pouco depois, o ministério das Finanças da Alemanha respondeu criticando Barroso. Um alto funcionário alemão comentou para o “Financial Times”: “Não é claro como a reabertura do debate apenas duas semanas após a cimeira pode acalmar os mercados”. A seguir, o porta-voz do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, declarou: “O importante agora é que apliquem rapidamente as decisões da cimeira e para isso é necessário que todos se concentrem no essencial e não levantem outra vez questões a que já foram dadas respostas a 21 de Julho”.

Entretanto, após a reunião do Banco Central Europeu em Frankfurt, Jean-Claude Trichet veio anunciar que o BCE manteve a taxa de juro de referência, declarou que os países europeus têm de “pôr a casa em ordem” e que devem “antecipar reformas estruturais”, e tornou público que o BCE tinha decidido lançar uma nova linha de financiamento à banca e voltar a comprar títulos de dívida soberana, uma decisão que disse não ter sido unânime no BCE. Sabe-se que o BCE comprou títulos das dívidas irlandesa e portuguesa.

As declarações de Trichet resultaram num aprofundamento da queda das bolsas. Muitos analistas interpretaram as medidas do BCE como um sinal que a situação dos bancos europeus é pior do que as informações oficiais fazem crer. Além disso, crise da dívida atinge agora duramente a Itália e a Espanha sem que a União Europeia tenha qualquer intervenção unificada capaz de enfrentar a especulação financeira.

Em Nova Iorque a eurocrise veio juntar-se aos indicadores negativos da economia norte-americana, provocando a maior queda da Wall Street, desde Fevereiro de 2009.

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