Apesar das ameaças, Irã pretende seguir adiante com acordo, diz parlamentar

22/5/2010 10:12,  Redação, com agências internacionais

Ahmadinejad segue os conselhos do Brasil

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Brasil

O Irã pretende levar adiante o acordo feito com o Brasil e a Turquia para a troca de combustível nuclear, apesar da proposta para novas sanções contra o país nas Nações Unidas, disse neste sábado um parlamentar iraniano.

– O Irã está comprometido com a promessa que fez e quer torná-la operacional e vai submeter o acordo à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A propaganda dos norte-americanos não terá efeito na decisão iraniana. Pedimos aos países favoráveis à resolução contra o Irã para não serem manipulados pelos EUA – afirmou Alaeddin Boroujerdi, presidente de comitê parlamentar de Relações Exteriores e Segurança Nacional, segundo a agência iraniana de notícias ISNA.

Outra agência iraniana de notícias, a IRNA, havia dito na sexta-feira que o Irã entregaria uma carta oficial à AIEA na segunda-feira com os detalhes do acordo de troca de combustível. Os representantes turco e brasileiro na AIEA acompanhariam o enviado iraniano durante a reunião com a agência, de acordo com um comunicado do Conselho de Segurança Nacional iraniano.

Líderes dos três países anunciaram na segunda-feira passada o acordo segundo o qual o Irã enviaria 1,2 mil quilos de urânio enriquecido para a Turquia, reduzindo assim o seu suprimento para um potencial uso bélico. Os iranianos receberiam em troca combustível para o seu reator de pesquisa. No entanto, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas chegaram a um acordo sobre um projeto de resolução com novas sanções contra o Irã.

O Ocidente teme que o Irã pretenda desenvolver armas nucleares, mas o Irã afirma que o seu programa é para fins pacíficos. Turquia, Brasil e Irã pediram uma suspensão das discussões sobre as sanções por causa do acordo de troca de combustível, mas as potências ocidentais suspeitam que o acordo seja uma tática iraniana para evitar ou postergar as sanções.

Chance à paz

O Brasil ainda vê espaço para uma solução negociada envolvendo o programa nuclear do Irã, mas admite que a continuidade do enriquecimento de urânio, já anunciada pela República Islâmica, não foi um assunto discutido entre os dois países, segundo afirmou, na véspera, o chanceler Celso Amorim.

– É claro que precisa haver garantias, discussões. Muitas coisas ainda precisam acontecer. É difícil, mas há uma saída. É preciso dar algum tempo para que isso funcione – disse Amorim a correspondentes estrangeiros no seu gabinete.

Um parlamentar iraniano já avisou que, se as sanções forem aprovadas, o Irã vai cancelar o acordo feito com Turquia e Brasil. Mas Amorim disse que muitos países estão abertos à possibilidade de manter o diálogo paralelamente às sanções.

– Muitos países têm dito que estão comprometidos com uma abordagem de duas pistas. O negócio com as duas pistas é que a certa altura as pessoas vão por caminhos diferentes, e é preciso decidir qual você segue – afirmou.

A Espanha, neste sábado, foi mais uma nação a apoiar os esforços de paz realizados pelo Brasil e a Turquia junto ao Irã. O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, parabenizou o esforço diplomático para conseguir um acordo nuclear, embora tenha assegurado que a União Europeia (UE) se reserva ao direito de apoiar mais sanções à República Islâmica.

– A Espanha agradece e apoia o esforço de dois grandes países com os quais temos boa relação para encontrar uma solução diplomática – disse Moratinos à agência espanhola de notícias Efe, em Istambul, durante a conferência internacional sobre a Somália.

O chefe da diplomacia espanhola referia-se ao recente acordo assinado pelos três países para que o Irã envie ao exterior seu urânio pouco enriquecido em troca do recebimento posterior de combustível nuclear para um reator médico. Moratinos exigiu que o Irã “explique o acordo à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que é quem decide as questões técnicas e políticas” do programa.

– Apoiamos a postura europeia de manter os canais da negociação até que se esgotem, mas não renunciamos a adoção de outras medidas se o Irã não demonstrar boa vontade – afirmou, em referência às possíveis sanções à República Islâmica que discute o Conselho de Segurança da ONU a instância dos Estados Unidos.

Moratinos é um dos que assiste à cúpula organizada pela ONU e a Turquia para buscar soluções ao caos e a violência na Somália e que, entre outras consequências, fomentou a pirataria no oceano Índico.

Apoio na ONU

Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon também concordou que o acordo aprovado pelo Irã poderá abrir caminho para resolver, por meios diplomáticos, a polêmica sobre o programa nuclear iraniano. Ele ressaltou que o acordo deve ser analisado pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

– Já mencionei o bem-vindo papel da Turquia, trabalhando juntamente com o Brasil, em relação ao Irã. Esperamos que esta e outras iniciativas abram caminho para uma solução negociada – afirmou Moon, durante discurso realizado na noite passada, em Istambul, na Turquia.

A reação de Moon ocorre no momento em que os Estados Unidos defenderam, durante sessão do Conselho de Segurança da ONU, a aprovação de um esboço de resolução fixando sanções contra o Irã. Para os norte-americanos, os iranianos produzem, de forma secreta, armas atômicas no seu programa nuclear.

A assessoria do primeiro-ministro da Turquia, Tayyp Erdogan, citou a correspondência que ele encaminhou ao presidente norte-americano, Barack Obama. “A Declaração de Teerã (nome oficial do acordo) não encerra o caso do programa nuclear iraniano, mas abre uma importante porta para uma solução por meios diplomáticos”, diz a carta de Erdogan.

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