Angola: Manifestante relata condições a que foi submetido na cadeia de Luanda

O estudante universitário Kady Maxindi, que viu-se absolvido da acusação pela participação na manifestação do dia 3 de Setembro em Luanda, relatou no seu facebook, as condições a que foi submetido na cadeia do Catinton, em Luanda. Artigo de club-k.netArtigo |21 Setembro, 2011 – 00:26Repressão policial em Angola – Foto de club-k.net (arquivo)

“Na esquadra do Catinton, na qual fiquei mais de 48 horas em uma das celas (o Carbono estava noutra ao lado), os detidos fazem as necessidades maiores em sacos de plásticos, a seguir, jogam o saco num canto do quarto de banho. Este mesmo quarto de banho tem a pia completamente entupida. A urina é depositada em garrafas vazias de água mineral. Água corrente? nada, luz eléctrica? nada. Digam-me lá se as condições da cela não constituem um atentado à vida humana?”, perguntou o estudante.

Em reação, o jornalista Reginaldo Silva retorquiu que “Ao ler o relato na primeira pessoa de Kady Mixinge sobre as condições que encontrou na esquadra do Catinton, apenas confirmei (uma vez mais) as minhas piores impressões sobre o universo carcerário angolano. A última vez que pernoitei numa esquadra luandense (há 24 anos) a “oferta higiénica” era exactamente igual aquela que o KM encontrou agora. Há de facto “muita coerência” neste sistema que agora se quer “humanizar””

O secretário geral do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, é de opinião que toda esta informação precisa “ser tratada com o devido detalhe, em dossier para ser transmitida às organizações internacionais de direitos humanos e às nações unidas.” O político lembrou que “recentemente membros da comunidade internacional visitaram cadeias novas em Luanda e elogiaram. Este procedimento é passível de punição internacional”.

Por seu turno, o escritor Sousa Jamba lembrou que “foi Nelson Mandela que disse que a integridade de uma nação está relacionada com a forma como ela trata os seus presos”.

Sobre a questão das cadeias no país e citando o Jornal de Angola, a directora das Organizações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores (MIREX), embaixadora Margarida Izata, afirmou na quinta-feira, em Luanda, que Angola, como Estado-membro de pleno direito das Nações Unidas, tem-se empenhado na promoção e protecção dos Direitos Humanos em toda a extensão do território nacional.

A diplomata, que usava da palavra na reunião dos titulares da Comissão Inter-Sectorial para a Elaboração de Relatórios dos Direitos Humanos, adiantou que tem sido dada particular importância à Declaração Universal dos Direitos Humanos, aos pactos internacionais sobre a matéria (direitos humanos) e outros instrumentos internacionais que promovam o respeito pela observância destes direitos e outras liberdades fundamentais.

Artigo publicado a 20 de Setembro de 2011 em club-k.net

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