Amigo dos excluídos

9/2/2012 15:04,  Por Adital

Jesus era muito sensível ao sofrimento de quem encontrava no Seucaminho, marginalizados pela sociedade, desprezados pela religião ou rejeitadospelos sectores que se consideravam superiores moral ou religiosamente.

É algo que Lhe sai de dentro. Sabe que Deus não discrimina ninguém. Nãorejeita nem excomunga. Não é só dos bons. A todos acolhe e bendiz. Jesus tinhao hábito de levantar-se de madrugada para orar. Em certa ocasião revela comocontempla o amanhecer: “Deus faz sair o Seu sol sobre bons e maus”.Assim é Ele.

Por isso, por vezes, reclama com força que cessem todas as condenações:”Não jugueis e não sereis jugados”. Outras, narra pequenas parábolaspara pedir que ninguém se dedique a “separar o trigo e o joio” comose fosse o juiz supremo de todos.

Mas o mais admirável é a Sua atuação. O rasgo mais original eprovocativo de Jesus foi o Seu hábito de comer com pecadores, prostitutas egente indesejável. O facto é insólito. Nunca se tinha visto em Israel a alguémcom fama de “homem de Deus” comendo e bebendo animadamente compecadores.

Os dirigentes religiosos mais respeitáveis não o puderam suportar. A suareação foi agressiva: “Aí tendes a um comilão e bêbado, amigo depecadores”. Jesus não se defendeu. Era certo. No mais íntimo do Seu sersentia um respeito grande e uma amizade comovedora para com os rejeitados dasociedade ou da religião.

Marcos recolhe no seu relato a cura de um leproso para destacar essapredileção de Jesus pelos excluídos. Jesus atravessa uma região solitária. Derepente aproxima-se um leproso. Não vem acompanhado por ninguém. Vive nasolidão. Leva na sua pele a marca da sua exclusão. As leis condenam-no a viverafastado de todos. É um ser impuro.

De joelhos, o leproso faz a Jesus uma súplica humilde. Sente-se sujo.Não lhe fala de doenças. Só quer ver-se limpo de todo estigma: «Se queres,podes limpar-me». Jesus comove-se ao ver a Seus pés aquele ser humanodesfigurado pela doença e o abandono de todos. Aquele homem representa asolidão e o desespero de tantos estigmatizados. Jesus «estende a Sua mão»procurando o contacto com a sua pele, «toca-lhe» e diz-lhe: «Quero.Fica limpo».

Sempre que discriminamos a partir da nossa suposta superioridade moral adiferentes grupos humanos (vagabundos, prostitutas, toxicómanos, sidoticos,imigrantes, homossexuais…), ou os excluímos da convivência negando-lhes onosso acolhimento, estamos a afastar-nos gravemente de Jesus.

[Tradução:Antonio Manuel Álvarez Pérez. Enviado por Eclesalia Informativo].

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Leiatambém:

Aqueleque cura
Por JoséAntonio Pagola

Segundo Marcos, a primeira aparição pública de Jesus foi a cura de um homempossuído por um espírito maligno na sinagoga de Cafarnaum. É uma cenaimpressionante, narrada para que, desde o início, os leitores descubram a forçaque cura e que liberta de Jesus.

É sábado e o povo encontra-se reunido na sinagoga para escutar o comentárioda Lei explicada pelos escribas. Pela primeira vez Jesus vai proclamar a BoaNova de Deus precisamente no lugar onde se ensina oficialmente o povo astradições religiosas de Israel.

As pessoas ficam surpreendidas ao escutá-lo. Têm a impressão de que atéagora estiveram a escutar notícias velhas, ditas sem autoridade. Jesus édiferente. Não repete o que ouviu a outros. Fala com autoridade. Anuncia comliberdade e sem medos de um Deus Bom.

De repente um homem «põe-se a gritar: Vieste a acabar com nós?».Ao escutar a mensagem de Jesus, sentiu-se ameaçado. O seu mundo religiosoderruba-se. Diz-nos que está possesso por um «espírito imundo», hostil aDeus. Que forças estranhas o impedem de continuar a escutar Jesus? Queexperiências más e perversas lhe bloqueiam o caminho até ao Deus Bom que lheanunciam?

Jesus não se acobarda. Vê o pobre homem oprimido pelo mal, e grita: «Cala-tee sai dele». Ordena que se calem essas vozes malignas que não o deixamencontrar-se com Deus nem consigo mesmo. Que recupere o silêncio que cura omais profundo do ser humano.

O narrador descreve a cura de forma dramática. Num último esforço paradestruir-Lo, o espírito «retorceu-o e, dando um grito muito forte, saiu».Jesus conseguiu libertar o homem da sua violência interior. Pôs fim às trevas eao medo a Deus. Daí em diante poderá escutar a Boa Nova de Jesus.

Não poucas pessoas vivem no seu interior de imagens falsas de Deus quelhes faz viver sem dignidade e sem verdade. Sentem-No, não como uma presençaamistosa que convida a viver de forma criativa, mas como uma sombra ameaçadoraque controla a sua existência. Jesus sempre começa a curar libertando de umDeus opressor.

As Suas palavras despertam a confiança e fazem desaparecer os medos. AsSuas parábolas atraem para o amor a Deus, e não para a sustentação cega da lei.A Sua presença faz crescer a liberdade, não os servilismos; suscita o amor àvida, não o ressentimento. Jesus cura porque ensina a viver apenas da bondade,do perdão e o amor que não exclui ninguém. Cura porque liberta do poder dascoisas, do autoengano e da egolatria.

[Tradução:Antonio Manuel Álvarez Pérez. Enviado por EclesaliaInformativo].

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