Alvaro Dias: ‘virar a página’ sobre Palocci é crer na ‘impunidade absoluta’ 

Em pronunciamento em Plenário nesta quarta-feira (8), o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) defendeu a investigação das suspeitas de enriquecimento ilícito do ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, afirmando que o Brasil atravessa uma “crise de proporções e de consequências imprevisíveis”. Para ele, a demissão de Palocci não encerra o assunto.

– Essa página não pode ser virada sem que se busque a verdade e se esclareça à opinião pública brasileira sobre as denúncias que impactaram fortemente o país. Quando o ministro Palocci pede demissão e as pessoas imaginam que podemos virar a página, acreditam na impunidade de forma absoluta.

Alvaro Dias lembrou denúncias contra Palocci, desde seu mandato como prefeito de Ribeirão Preto (SP), destacando a série de suspeitas durante o primeiro governo Lula, que culminou na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.

– Não há como afirmar, agora que o ministro deixou de ser ministro, e deixou de ser homem público, passou a ser cidadão comum e deve responder apenas na Justiça. Não há com dissociá-lo. Se não há esclarecimentos, estamos autorizados a pressupor que há, sim, envolvimento da campanha eleitoral da presidente eleita na movimentação financeira da empresa do senhor Palocci.

Apesar de lamentar a falta de assinaturas necessárias para uma CPI, o parlamentar assegura que a oposição continuará acompanhando o desdobramento dos fatos no Ministério Público Federal. E manifestou sua esperança de que aumente a transparência dos atos governamentais no Brasil. 

Plano Real

Alvaro Dias registrou o lançamento do livro Saga Brasileira – a longa luta de um povo por sua moeda, da jornalista Miriam Leitão, sobre o processo de estabilização da economia. Citando os economistas Hélio Duque e Pérsio Arida, o senador enalteceu o livro por desvendar a origem da hiperinflação que atingiu o Brasil até 1994 e relatar a história do Plano Real em linguagem simples:

– Miriam Leitão, sem dúvida, resgata, para conhecimento das novas gerações que não conheceram o câncer inflacionário, o que significa ter uma moeda estabilizada – declarou.Da Redação / Agência Senado