Acusados de matar indígenas em Mato Grosso do Sul serão levados a julgamento
23/1/2012 18:50, Por Rede Brasil Atual
Acusados de matar indígenas em Mato Grosso do Sul serão levados a julgamento
Por: Redação da Rede Brasil Atual Publicado em 23/01/2012, 19:00 Última atualização às 19:00
São Paulo – A Justiça Federal em Mato Grosso do Sul aceitou a denúncia contra seis acusados de envolvimento no ataque realizado em 2009 à comunidade indígena Ypo’i, na cidade de Paranhos, no sul do estado, que provocou duas mortes. Os réus vão responder pelos assassinatos dos professores indígenas Jenivaldo Vera e Rolindo Vera, com o agravante da impossibilidade de defesa das vítimas, a ocultação de cadáveres e a lesão corporal de idoso.
Fermino Aurélio Escolbar Filho, Rui Evaldo Nunes Escobar e Evaldo Luís Nunes Escobar, filhos do proprietário da Fazenda São Luís, onde ocorreu o ataque, em 31 de outubro de 2009, serão levados a julgamento junto com Moacir João Macedo, vereador e presidente do Sindicato Rural de Paranhos, Antônio Pereira, comerciante da região, e Joanelse Tavares Pinheiro, ex-candidato a prefeito da cidade.
As evidências colhidas pelo Ministério Público Federal identificaram a participação de todos eles no episódio. Os atiradores chegaram à ocupação indígena efetuando disparos com pelo menos sete armas e agredindo o grupo de 50 pessoas. Um senhor de 89 anos recebeu pauladas nas costas, nos ombros e nas pernas.
O corpo de Jenivaldo foi encontrado uma semana depois do crime em um rio próximo. A perícia comprovou que a morte foi causada por um tiro nas costas. Os restos mortais de Rolindo não foram localizados até hoje, apesar de buscas realizadas pela Polícia Civil com o auxílio do Exército e do Corpo de Bombeiros.
Os indígenas retornaram à área em 19 de agosto de 2010, amparados por decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região que impede a reintegração de posse até a conclusão de estudos que confirmem os indícios de ocupação tradicional da Fazenda São Luiz pelo grupo étnico, o que lhes daria direito à demarcação.
Em paralelo, o Ministério Público espera a conclusão de um inquérito conduzido pela Polícia Federal de Ponta Porã para a investigação da participação de outras pessoas nos crimes, além da apuração sobre o uso de um carro oficial da Prefeitura de Paranhos na prática do duplo homicídio.
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