A Partida dá lições sobre vida e morte

4/6/2009 10:03,  Redação, com Reuters

Talvez seja surpreendente, mas não inexplicável o fato de A Partida ter levado este ano Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Num ano em que estatuetas foram distribuídas no atacado a Quem Quer Ser um Milionário? faz muito sentido que filmes mais audaciosos, como o francês Entre os Muros da Escola e o israelense Valsa com Bashir, tenham sido derrotados por um filme convencional e previsível, como o drama japonês, que estreia nessa sexta-feira.

O Oscar de Filme em Língua Estrangeira, aliás, há muito tempo deixou de ser parâmetro de qualidade, premiando filmes como Infância Roubada (2005) — em vez de Paradise Now — ou Lugar Nenhum na África (2002), sem ao menos indicar Cidade de Deus. Os filmes premiados na categoria são aqueles que merecem o lastro da Academia, convencionais e que raramente representam a cinematografia do país premiado.

Tanto Entre os Muros da Escola como Valsa com Bashir sustentam por si mesmos sua superioridade diante de A Partida, um produto japonês tipo exportação, mostrando peculiaridades da cultura local filtrada com uma aura cool para o mundo ocidental. No caso, os ritos funerários da tradição japonesa.

Daigo (Masahiro Motoki) é um cellista desempregado que arruma ocupação com um nokanshi veterano. Na cultura japonesa, a profissão de ‘nokanshis‘ é uma combinação entre agente funerário e religioso — mas, não é exatamente nenhuma das duas ocupações, é algo único. A julgar como A Partida mostra essa função, ela é vista com certo desdém pelas pessoas.

Envergonhado, Daigo esconde sua nova profissão dos amigos e da mulher, que o abandonaram. No entanto, o trabalho de lavar, vestir e preparar os corpos para os parentes enlutados é algo nobre — tão nobre, que o filme explicita isso rapidamente, para que não haja tensão alguma ao longo da projeção.

Roteirizado por Kundo Koyama, A Partida é dirigido por Yôjirô Takita, que começou a carreira com os chamados ‘pink films’, ou seja, pornôs leves. Aqui, o diretor exagera em algo que acredita ser poesia visual, mostrando como Daigo e seu mestre — interpretado pelo veterano Tsutomu Yamazaki — preparam os corpos e também nas cenas da vida provinciana.

Até chegar a seu clímax previsível, A Partida vai exageradamente ensinar a lição de que a vida é curta e cada momento deve ser aproveitado.

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